Um manifesto contra o manifesto

Opinião / 21/04/2017 - 06h00

Aroldo Rodrigues*

Na última semana foi lançado um manifesto contra o “desmonte do Brasil” chamado “Projeto Brasil Nação” liderado pelo economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, com assinaturas de apoiadores de esquerda como Chico Buarque e Wagner Moura. O documento contextualiza a crise atual colocando como suas principais causas a política de juros altos e o câmbio apreciado e culpa o governo Temer por este cenário, classificando-o como “ reacionário e carente de legitimidade”.

O problema é que manifestos embasados em convicções políticas e ideologias historicamente se provaram equivocados. Em 2011 quando a então presidente Dilma abandonou o tripé macroeconômico (o regime de metas de inflação, câmbio flutuante e metas de superávit) e deu início à “Nova Matriz Econômica”, o economista Bresser-Pereira, líder do movimento de agora, disse que ali começava a verdadeira era de ouro da economia brasileira.

“O Brasil está voltando a se comportar como nação independente ao perceber o equívoco do neoliberalismo”, afirmou economista na “Folha de S.Paulo” na época. Bresser acreditava que o programa seguido à risca faria com que o Brasil retomasse taxas de crescimento sustentáveis com estabilidade financeira e controle da inflação. 

Pulso e crença neste caminho não faltaram, mas todos sabem qual foi o resultado da genial “Nova Matriz Econômica”. Em 2012, Bresser afirma que o problema da não eficácia da nova matriz era o câmbio valorizado (um dos mesmos argumentos utilizados atualmente), e disse que o país cresceria 5% se o câmbio chegasse a R$ 2,70. Mais uma vez vimos que a realidade não acompanhou sua teoria. O câmbio chegou a R$ 4,10 e o resultado foi a pior recessão da história.

O que o manifesto atual (Projeto Brasil Nação) propõe é que empreguemos as mesmas políticas econômicas que provocaram a crise como medidas para sair dela. Achou confuso? Eu também, mas é exatamente isso que foi dito no documento. Não é possível repetir a receita e obter um bolo diferente. Aguardemos o dia em que os fatos e as estatísticas superarão as paixões político-partidárias. 

(*) Economista

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários