Brasil precisa discutir o futuro dos seus treinadores

Alexandre Simões / 21/07/2017 - 06h00

A demissão de Roger Machado, consolidada ontem, já era uma realidade desde o momento em que a diretoria do Atlético procurou Cuca, que logo depois voltou foi para o Palmeiras, onde, por enquanto, permanece até agora.

Quando se perde a convicção no trabalho de um treinador, não há mais motivos para se permanecer com ele. Mas se vai contratar quem? As opções que o mercado apresentava naquele momento eram Marcelo Oliveira, que saiu do Atlético durante a final da Copa do Brasil do ano passado e retornou ontem ao Coritiba, e Levir Culpi, que teve um final de história traumático no clube na reta final da temporada de 2015 e agora está no Santos.

E Roger Machado sai sem que se tenha um substituto definido, com Diogo Giacomini assumindo a equipe, de forma interina, pela terceira temporada seguida, sendo que em 2015 e 2016 foi na reta final do Brasileirão.
Este enredo atleticano é apenas um entre dezenas numa rotina em que o futebol brasileiro mergulhou e parece não ter interesse de interromper.

Há algo de errado com nossos treinadores ou clubes. Não há a menor dúvida disso. E o que me impressiona é que, apesar de ser um assunto tão importante, as ações para se tentar diagnosticar onde está o problema não existem.

No Cruzeiro, a temporada decepcionante em 2016 foi justificada pela saída de Mano Menezes, que chegou ao clube no início do returno do Campeonato Brasileiro do ano anterior, levou o time a uma grande campanha, mas deixou a Toca da Raposa II seduzido por uma proposta milionária do futebol chinês.

Este ano, a irregularidade do time tem como culpado principal, pelo menos na avaliação da torcida, justamente Mano Menezes, que para muitos cruzeirenses não respeita a história de futebol ofensivo do clube, embora essa turma, se nascida, com certeza comemorou as conquistas da Libertadores de 1997 e da Copa do Brasil de 2000.

A distância entre o sucesso e o fracasso é muito pequena. E dois exemplos claros disso são os comandantes dos dois melhores times do Brasil na atualidade. Fábio Carille, treinador do Corinthians, é o Diogo Giacomini do Parque São Jorge. Já assumiu e caiu no clube várias vezes num passado recente, e agora alcança uma sequência impressionante.

No ano passado, o promissor Roger Machado, que logo virou objeto do desejo de vários clubes, deixou o Grêmio abrindo vaga para a chegada do ultrapassado Renato Gaúcho, que não treinava um clube há dois anos, desde uma passagem desastrosa pelo Fluminense, em 2014.

E o técnico visto como “Rto de praia” arrumou a casa, levou o Grëmio à coqnuista da Copa do Brasil, quebrando um jejum de 15 anos sem grandes títulos, e agora faz ótimas campanhas no Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.

Não é normal o momento pelo qual passa o futebol brasileiro no que se refere aos seus treinadores. E já passou da hora dos maiores interessados abrirem uma discussão séria sobre o assunto, pois o cenário atual é ruim para todo mundo num país em que o torcedor só valoriza quem conquista taças importantes.

Como o Brasil tem mais de uma dezena de grandes clubes, todo ano falta taça para muita gente. E sobram crises e gritos de :”Burro”.

 

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