Mineirão goleou imbecilidade dos torcedores intolerantes

Alexandre Simões / 30/06/2017 - 06h00

Assuntos não faltam nesta sexta-feira em que a Seleção Brasileira comemora 15 anos do penta, em que os jogos de Atlético e Cruzeiro pela Copa do Brasil dividem nas conversas dos torcedores a expectativa pelo clássico de domingo entre eles pelo Campeonato Brasileiro, e em que a Alemanha mostrou na Copa das Confederações toda a força da sua nova geração passado por cima do México numa das semifinais do torneio.

Mas tudo isso é só futebol. E há algo mais importante e recente a se debater. A repercussão da bela ação promovida pelo Mineirão na noite da última quarta-feira, quando o estádio ganhou em sua fachada as cores do arco-íris numa mensagem pelo Dia Mundial do Orgulho LGBTI.

Muito mais que impressionante, é decepcionante a gente ver no Twitter do estádio um festival de ignorância promovido principalmente por torcedores de Atlético e Cruzeiro.

Fiquei abismado das pessoas colocarem a cara para escrever, numa rede social, coisas do tipo: ‘O Mineirão já tá pegando o jeito do Cruzeiro”, o que provocou a seguinte resposta: “O do Atlético pegou tem tempos, um time de viado pagando de macho”.
Teve gente ainda mais revoltada: “Casa do Cruzeiro. Vão pra pqp com o politicamente correto, minoria que tudo vá para o inferno! Ali é um palco de histórias, não de putaria!”.

Teve gente até preocupada com o futuro: “PQP onde chegamos? Sodoma e Gomorra implantada e estão achando normal! A conta vai chegar!!”. Alguns foram diretos, como o atleticano que comentou: “Lugar de bicha e viado!!!”. A resposta de um cruzeirense foi: “Uai, não é o salão de festa da massa?”.

A ação do Mineirão escancarou, mais uma vez, como o futebol é um meio homofóbico. Principalmente em Minas Gerais. E como nossos dois gigantes são cúmplices disso.

A mesma torcida atleticana que fez bater recordes de audiência no Portal hojeemdia.com.br uma matéria em que Richarlyson declara que o Atlético foi o único clube onde ele não sofreu preconceito, idolatra colunista homofóbico, apela para o “Maria” quando se refere ao rival e grita: “Bicha” quando o goleiro adversário cobra tiro de meta.

O Cruzeiro faz campanha, aliás bela e louvável, no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, mas desconhece o 28 de junho, como se as duas causas não tivessem a mesma importância numa sociedade covarde e intolerante.

Não é novo, pois já questionei isso antes, mas nem precisa ser. É uma pena que a briga pequena, diria até cafona, seja para tomar posse da condição de “Time do Povo” ou de “Paixão do Povo”. O que pensam que é povo Atlético e Cruzeiro?

No dicionário, povo tem duas definições: “1 . conjunto de pessoas que falam a mesma língua, têm costumes e interesses semelhantes, história e tradições comuns. 2. conjunto de pessoas que vivem em comunidade num determinado território; nação, sociedade”.

No Twitter do Mineirão, um torcedor se posicionou sobre a ação do estádio da seguinte forma: “Orientação LGBT? E realmente já pode cair outro asteróide na terra”. Os dois últimos dias foram tristes para o futebol mineiro. O preconceito, principalmente de atleticanos e cruzeirenses, que dominaram os comentários, não poderia passar sem uma resposta dos dois clubes. Mas melhor não mexer com isso, né? A preocupação deles é com o povo.

 

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