O dia em que senti vergonha do futebol mineiro

Alexandre Simões / 19/05/2017 - 06h00

No último sábado levei meu filho caçula, de 16 anos, que é atleticano, para conhecer o Maracanã. E nada melhor do que fazer isso num dia de clássico entre Atlético e Flamengo, com mais de 50 mil pessoas no estádio.

O que seria apenas uma diversão se transformou numa depressão, provocada por uma reflexão. Todos nós sabemos o que aconteceria com um torcedor flamenguista que tentasse, num dos setores centrais do Mineirão, acompanhar, com a camisa do seu clube, um duelo entre os dois rivais e ainda se atrevesse a vibrar no momento de um gol do time rubro-negro.

Pois isso aconteceu, com os papéis invertidos, no Maracanã. E ninguém me contou. Eu vi. Torcedores do Atlético, com camisas alvinegras, no meio da torcida do Flamengo, nos dois setores centrais do estádio, apoiando o seu time e comemorando o belo gol de empate, marcado pelo volante Elias.

O mais interessante em tudo isso é que as notícias que nos chegam diariamente sobre o Rio de Janeiro são ligadas à violência, quase uma guerra civil, ou então de corrupção, com o ex-governador Sérgio Cabral sendo o cabeça de um grande esquema.

Me impressionou o povo vítima disso tudo estar muito à nossa frente, me refiro aos mineiros, no que se refere à convivência com as diferenças.

Por que os cariocas conseguem conviver com o torcedor rival no metrô, no entorno do Maracanã e dentro do estádio, nos setores centrais, e nós, mineiros, não? Minha referência não é aos brigões das torcidas organizadas. Estou falando do torcedor comum, de gente de bem, que é a maioria absoluta.

Mas o que faz o torcedor comum de Minas Gerais ser tão intolerante? Por que o ódio ao rival, ao diferente, precisa ser uma marca de todas as partidas disputadas em Belo Horizonte em que existe rivalidade entre os dois clubes?

É impossível não passar parte dessa culpa aos dirigentes, que têm nos últimos anos um comportamento inadequado nesse sentido para quem ocupa cargos tão importantes, como os de comandar clubes do tamanho de Atlético e Cruzeiro.

Mas há algo a mais. E nós precisamos diagnosticar esse problema. O Mineirão e o Independência precisam voltar a ser locais de festa e diversão. O clima que ronda nossos estádios, em dias de grandes jogos entre clubes rivais, não é nada agradável.

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