Por que Rafael Moura não entrou em campo na quarta?

Alexandre Simões / 11/08/2017 - 08h12

Não conheço Rogério Micale pessoalmente, mas amigos em comum o elogiam muito. Acompanhei o trabalho dele na base, quando teve grandes resultados, mas comandar equipes sub-17 ou sub-20 é bem diferente de dirigir times principais. Assim como jogar, pois o que mais vemos no futebol são fenômenos das categorias inferiores não vingando quando sobem.

Quando o presidente Daniel Nepomuceno fala, em coletiva, que “se eu acreditasse que a troca iria dar resultado, eu não teria trocado”, referindo-se à substituição de Roger Machado por Rogério Micale, ele confirma que agiu pela pressão do momento.

Não questiono a troca, até porque não há como defender o trabalho de Roger, pois o Atlético não conseguiu engrenar com ele. Só me preocupou o fato de jogadores do tamanho de Leonardo Silva e Fred terem sido contra a substituição. Isso me dá a certeza de que ela não deveria ter acontecido, pois ele tinha o comando de um grupo formado por algumas estrelas. E mais do que isso, indica que o presidente não consultou as lideranças do elenco.

Agora, está provado. A troca foi desastrosa. Falar depois é fácil. Mas há pontos que não podem ser descartados e que contribuem contra Micale. 
É muito pouco para um treinador que chegou tão badalado e ganhando tanto, mas, nos tempos de Roger Machado, dois pontos que podem ser colocados como “positivos” no time do Atlético são um Cazares mais participativo, jogando na armação, embora ainda irregular, e uma estratégia desesperada contra times retrancados de colocar Fred e Rafael Moura juntos, dentro da área, brigando contra a defesa adversária.

Para evitar o vexame que seria uma eliminação diante do Jorge Wilstermann, o Atlético precisava de gols. E a estratégia de jogo precisava ter Cazares centralizado, criando, com chances de penetração e de chutes de fora da área, e não deslocado para a ponta esquerda.

E nada conseguirá me convencer de que Rafael Moura não deveria ter entrado naquele jogo de quarta-feira. No segundo tempo, a estratégia do Atlético foi principalmente jogar bolas altas na área boliviana. E ele coloca em campo Otero, que tem 1,65, e deixa no banco de reservas Rafael Moura, com 1,89.

Além disso, escalar de cara Fred e Luan, dois jogadores que voltavam de problemas médicos, foi um erro primário. Sendo que o camisa 9, claramente, foi para o sacrifício e entrou em campo sem estar em suas totais condições.

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