Vai dar Azzurra?

Alexandre Simões / 07/04/2017 - 06h00

A Seleção Brasileira retomou o primeiro lugar do ranking da Fifa, na lista de abril, liberada ontem pela entidade, e as oito vitórias seguidas sob o comando de Tite, nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, colocam o time como a grande força da região, pois a distância técnica em relação a Argentina e Uruguai é muito grande neste momento.

Na Europa, quem brilha é a atual campeã do mundo Alemanha. A manutenção do trabalho de Joachim Low, que comanda a equipe deste a Copa de 2010, depois de ser auxiliar de Klinsmann em 2006, deu aos alemães um padrão de jogo raro.

E além disso, um processo de renovação muito mais fácil. E ele vem sendo tocado com eficiência pelo comandante, que garante os 100% de aproveitamento nas Eliminatórias da Europa para o Mundial da Rússia mesclando estrelas da conquista de 2014, com jovens que já começam a ganhar espaço, como Sané, parceiro de Gabriel Jesus no Manchester City, Draxler, que veio ao Brasil mas disputou apenas uma partida, Jonas Hector, titular absoluto, ou Kimmich, que brilha também no Bayern de Munique.

Este cenário de Brasil e Alemanha ocupando a posição de grandes forças da América do Sul e Europa, respectivamente, me faz lembrar do período anterior à Copa do Mundo de 1982, que foi disputada na Espanha.

É claro que não se pode comparar a qualidade técnica dois times. São tempos muito diferentes, embora tenha a convicção de que os times brasileiro e alemão do início dos anos 1980 eram superiores aos atuais.

Antes do Mundial da Espanha, não havia quem não apostasse numa final entre as duas equipes. O Brasil, de Telê Santana, tinha a seguinte formação: Valdir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder.

A Alemanha, de Jupp Derwall, tinha um time-base formado por: Schumacher; Bernd Foerster, Karl Foerster, Stielike e Briegel; Dremmler, Breitner e Magath (Matthaus); Littbarski, Fischer (Hrubesch) e Rummenigge.

Eram dois esquadrões, mas acabaram não se cruzando na Espanha. O confronto poderia ser na final, mas o Brasil caiu ainda nas quartas, diante da Itália. Embalada após eliminar o timaço de Telê Santana, a Azzurra chegou à decisão, justamente contra a Alemanha. E chegou ao tri de forma incontestável, com um 3 a 1 que no final pareceu pouco.

O time comandado por Enzo Bearzot, que também contava com craques geniais, como Dino Zoff, Cabrini, Scirea, Marco Tardelli, Bruno Conti, Graziani, Antognoni e Paolo Rossi, acabou construindo a mais bela história na Copa de 1982.

O enredo para a Rússia é idêntico ao do Mundial de 1982. O difícil é acreditar que o time de Giampiero Ventura, treinador da atual seleção italiana, que tem uma qualidade técnica infinitamente inferior à de Enzo Bearzot, possa atrapalhar as vidas de Brasil e Alemanha.

De toda forma, o Mundial se aproxima com Brasil e Alemanha justificando os seus favoritismos. E a dúvida é de qual pode ser a Azzurra da Copa da Rússia.

 

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