Câmara de Belo Horizonte está sem rumo; entenda!

Amália Goulart / 13/03/2017 - 06h21

Existem na Câmara de Belo Horizonte três grupos de vereadores. Um deles é composto por 14 parlamentares (independentes), outro por 20 (ligados ao presidente Henrique Braga) e um terceiro de sete, da ala esquerda. 

O prefeito Alexandre Kalil (PHS) ainda não conseguiu o apoio de nenhum destes grupos. Em todos eles existem insatisfações que tem o mesmo motivo: a falta de diálogo e de prestígio. Entenda-se por prestígio cargos na administração. 

A reclamação é a mesma: Kalil foi eleito prometendo cessar com nomeações partidárias, indicações de aliados e lideranças especialmente para postos de segundo e terceiro escalões. Mas deixou que alguns aliados o fizessem. O vice-prefeito Paulo Lamac, o deputado Marcelo Álvaro Antônio e o deputado estadual Iran Barbosa indicaram apadrinhados e foram atendidos, dizem os parlamentares. Esse último perdeu os cargos por divergência interna. 

Não é de hoje que os vereadores têm direito a indicações políticas, em regionais e secretarias, uma forma de manter a base eleitoral.

Percebendo a crise, Kalil nomeou Gilson Reis (PCdoB) para a liderança de governo. Desagradou e teve que destituí-lo do cargo. 

Agora, tenta contornar o imbróglio, mas ainda não sabe como o fará. Pensou-se em indicar Juliano Lopes para a vaga de líder (PTC). Ele não foi convidado oficialmente, mas também não era o cargo de seus sonhos. 

Na semana que passou, cresceram os rumores de que Léo Burguês (PSL) assumirá o posto. É a possibilidade, no momento, mais iminente mesmo. Léo também não foi convidado ainda, mas, um grupo de vereadores já levou a Kalil o desejo em vê-lo na posição. 

Mas, mesmo se Burguês for indicado, não terá vida fácil. Para que a Câmara volte aos eixos, é preciso muito mais que um líder, apesar de ser um bom começo. É necessário que se chame à Mesa os parlamentares e apare as arestas. O que significa que Kalil terá três opções: destituir Paulo Lamac da secretaria de Governo, exonerar os indicados dele e de outros, ou dar espaço na administração para os vereadores. 

Além de todos esses “poréns”, Kalil ainda terá de lidar com a disputa por terreno ou embates entre os que podem ser base. Professor Wendel (PSB), desagradou aliados, por exemplo, ao chamar parlamentares para acompanhá-lo a um encontro com Kalil, na última quinta-feira. Levou sete vereadores. Dizem aliados que almejava o posto de vice-líder. Porém, a iniciativa não pegou bem entre os colegas. 

Outro impasse: a briga pública entre Gabriel Azevedo (PHS) e Gilson Reis (PCdoB). E como ela, tantas demais. No grupo dos aliados de Henrique Braga também não existe consenso. Muitos vereadores questionam posições do presidente da Câmara. E por aí vai. Tudo que Kalil teve na campanha (aproximação com o eleitor), terá que utilizar em dobro, se quiser montar uma base capaz de aprovar projetos importantes para a cidade. 

Trampolim
Gilson Reis pode tornar-se deputado estadual. Circula nos bastidores a informação de que existe a possibilidade de um acordo para que Mario Henrique Caixa (PV) vire secretário estadual para que Gilson assuma uma cadeira na Assembleia. 

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