Candidatos a juiz eleitoral são ligados a políticos em Minas

Amália Goulart / 13/09/2017 - 08h00

Dos 20 inscritos para a vaga de juiz eleitoral substituto com atuação no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) ao menos sete possuem ou já possuíram algum tipo de vínculo com lideranças políticas no estado. 

O TRE possui uma vaga em aberto. Será composta uma lista tríplice para a escolha do presidente Michel Temer (PMDB). A lista chegou a ser finalizada, porém, houve a desistência de João Luiz Pinto Coelho, primo distante do ex-governador Alberto Pinto Coelho e, até então, favorito para o cargo. 

Agora, os desembargadores (Pleno) do Tribunal de Justiça votarão em um nome para substituir João Luiz na composição da lista tríplice. Nos bastidores, existe grande chance do escolhido ser nomeado por Temer, já que o favorito desistiu. 
O número de concorrentes chama a atenção. Entre os postulantes está André Myssior, sócio do escritório Abi-Ackel Advogados, do ex-deputado Ibrahim Abi-Ackel e pai do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB). O deputado é ligado ao senador Aécio Neves (PSDB) e foi relator da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentando relatório favorável ao peemedebista. 

Está ainda na lista Bruno Burgarelli, que foi candidato a vereador pelo PMDB e procurador-geral da Câmara de Belo Horizonte na gestão do presidente Léo Burguês.

O ex-procurador da Prefeitura de Belo Horizonte na gestão de Marcio Lacerda (PSB), Rúsvel Beltrame Rocha, também é um dos candidatos a juiz eleitoral. 

Próximo ao PT, outro candidato é Bruno César Gonçalves da Silva. Ele foi nomeado pelo governador Fernando Pimentel (PT) para a presidência do Conselho Penitenciário do Estado. É também advogado do ex-deputado e ex-secretário de Defesa de MG, Bernardo Santana. Os petistas também tiveram relação com Antônio Marcos Nohmi, que foi assessor na Copasa e é ligado a Marco Antônio Teixeira, secretário da Casa Civil de Pimentel. 

Tem ainda Tiago Gomes, ex-sócio do pai do deputado estadual Gustavo Corrêia (DEM). 

Para fechar a lista dos que possuem algum vínculo com políticos, Grayce Queiroz, de família de tradicionais lideranças de Patrocínio, foi vereadora e candidata a prefeita. É casada com o ex-vereador Pablito, ligado ao grupo de Aécio. 

Só love

Se o Ministério Público Federal, comandado por Rodrigo Janot, pode ser descrito pelo funk “tiro, porrada e bomba”, o Ministério Público do Estado de Minas aderiu ao “só love”. 

Na noite de anteontem, o governador Fernando Pimentel fez questão de comparecer à solenidade promovida pelo MP de Minas para homenagear personalidades mineiras, muitas delas compostas por políticos. E exaltou a harmonia com que promotores e procuradores atuam em Minas. 

“Temos orgulho por termos um Ministério Público dessa qualidade, com uma postura que combina a independência, a autonomia e seu apelo constitucional de fiscalizador do Poder Executivo, com uma postura pedagógica, didática, não punitiva em primeira instância, mas, sim, construtora de consensos e harmonia, que é o que precisamos neste momento, neste país”, destacou o governador, que é investigado na Acrônimo e na “Lava Jato”, mas em Brasília. 

 

 

 

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