CSN pedirá ao Cade direito de indicar conselheiros

Amália Goulart / 22/11/2017 - 06h00

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) entrará com processo junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ter direito a maior participação na Usiminas. A empresa, de Benjamin Steinbruch, deseja eleger dois conselheiros. Hoje, ela tem dois conselheiros, mas eles são tidos como independentes e respondem diretamente ao Cade. Foram escolhidos pelo Cade dentre uma lista encaminhada pela CSN.

Mas a empresa quer ter direito a indicar dois nomes que responderão a ela. Também quer ter atuação ampliada junto à Usiminas. O processo, conforme fontes do mercado, será impetrado junto ao órgão no início de fevereiro. Isso porque, no fim de abril, a Usiminas terá Assembleia Geral Ordinária para a escolha do Conselho, que inclui também a escolha do presidente, já que o mandato de Sergio Leite acaba em 25 de abril.

Caso não consiga êxito junto ao Cade, o que é provável, a CSN tentará a via judicial.

O movimento certamente provoca questionamentos sobre o real interesse da CSN na Usiminas. Dizem fontes de mercado que o sonho da empresa sempre foi comprar a Usiminas. Porém, o Cade já sinalizou que não irá deixar o negócio acontecer.

Em fevereiro deste ano, o Conselho indeferiu pedido da CSN para flexibilizar o Termo de Compromisso de Desempenho, que restringe a participação da empresa na Usiminas. O CSN é uma das principais concorrentes da Usiminas, motivo pelo qual o Cade veta as investidas da Companhia Siderúrgica Nacional.

A CSN terá até abril de 2019 para vender as ações que possui na Usiminas, conforme fontes do mercado. Ela é a maior dentre os minoritários. Detém 15% das ações ordinárias e 19% das preferenciais. Perde em espaço para as duas maiores acionistas, a Ternium/Techint e a Nippon Steel.

Em 2014, após desaprovar a compra das ações da Usiminas, pela CSN, o Cade determinou a venda.

Agora, o movimento junto ao Cade e, possivelmente à Justiça, ocorre justo um ano antes de ter que vender as ações.

No julgamento do pedido para ampliar poderes deste ano, o conselheiro João Paulo Resende brincou ao dizer que teria que abrir a agenda do Cade do próximo ano, já que, desde 2014, a CSN entra com recurso no Conselho para mudar o Termo.

Fato é que, a Usiminas, após passar por um turbulento período de briga entre os dois maiores acionistas (Ternium e Nippon) vivia momento de calmaria, com bons resultados sob a gestão de Sergio Leite. Mais uma disputa acionária pode refletir, novamente, no valor da Companhia. Quem perde: quem terá que vender ações. Quem ganha: quem for comprar.

A minha aposta é a de que a CSN ainda espera ganhar pelas vias judiciais ou, talvez, no Cade, caso haja uma renovação de conselheiros que pensem de forma diversa. Ou talvez os advogados da Companhia consigam novos argumentos para convencer as instâncias responsáveis. É uma possibilidade. E todas elas estão em aberto. De qualquer forma, a calmaria na Usiminas, ao que tudo indica, tem prazo de validade. Soma-se aí ao fato de que Nippon e Ternium podem não se entender na AGO marcada para abril.


 

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