Fiemg: a eleição mais acirrada da história

Amália Goulart / 12/09/2017 - 06h00

Uma disputa acirradíssima toma conta da indústria mineira. E começou a “pegar fogo” há um mês. Os dois candidatos (Flávio Roscoe e Alberto Salum) realizam verdadeiras maratonas em busca do voto de 139 sindicatos com direito a escolher o próximo presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). O sistema Fiemg (incluindo o sistema S) tem orçamento anual de R$ 1,2 bilhão. 

Como o universo eleitoral é pequeno, mas muito diverso, o trabalho em busca do voto é intenso e também tenso. “Meu caminho é de lealdade e amizade. Sou reto, direto e de confiança”, disse ontem Alberto Salum, candidato da situação, apoiado pelo presidente atual, Olavo Machado, em uma referência indireta ao adversário. Salum convidou a imprensa para um almoço em que se apresentou. Nos bastidores da disputa, ele leva desvantagem numérica para o concorrente. Mas nega tal situação. “Voto será na urna. Eles estão tentando vender o ‘já acabou’ que não acabou”, disse. 

Salum lançou o slogan “Fiemg Forte e Participativa”. Dentre as plataformas de campanhas estão a promessa de ouvir os sindicatos na tomada de decisões e no planejamento de ações para fortalecer a entidade.

“Temos que estar mais presente e mostrar mais a cara de Minas. Não quero que Minas seja rebocada, nesse momento de crise, principalmente”, completou.

O discurso também irá amparar-se no lado emocional. Ao pregar “lealdade” a Olavo Machado, Salum passa uma mensagem aos outros presidentes de sindicatos com direito a voto: participaram da gestão anterior e têm compromisso com ela. Oriundo do setor de construção pesada, Salum lembrou que apoiou Olavo Machado quando ele quis mudar o estatuto da Fiemg para candidatar-se a um terceiro mandato, revelando, que tomou a medida mesmo não concordando com ela. “Sou um soldado”. O racha na Fiemg começou justamente quando Machado quis candidatar-se pela terceira vez. Os associados tiveram que votar para mudar o estatuto, permitindo o terceiro mandato.

Do setor têxtil, Flávio Roscoe coordenou a oposição à alternativa. Conseguiu derrubar Machado nas urnas com maioria dos votos, o que o fortaleceu como candidato oposicionista.

O grupo de Olavo Machado teve, então, que se reagrupar para lançar um nome. Enquanto isso, Flávio já traçava estratégias e disparava ligações em busca de apoio. O discurso utilizado foi aquele que está na moda no Brasil: o de mudança, oxigenação, descontinuidade. 

Com o nome de Salum na praça, a eleição para gerir a Fiemg ficou ainda mais “quente”. Os candidatos desdobram-se para ter o apoio dos representantes de sindicatos votantes. E, mesmo com a garantia de voto, não podem descuidar, o opositor certamente tentará mudar o voto. Não faltam encontros, almoços, jantares e eventos para prestigiar os 139 sindicatos. 

A Fiemg jamais viu uma eleição tão disputada. Aliás, nunca houve, de fato, disputa na Federação. Que ela sirva para fortalecer a entidade, especialmente nas demandas com o poder público. 

Homenagem

O Ministério Público mineiro prestou homenagem ontem a vários políticos no estado. Receberam a Medalha do Mérito o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes (Grande Colar) e o prefeito Alexandre Kalil (Comenda). 

 

 

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