Guerra no PMDB mineiro

Amália Goulart / 10/11/2017 - 06h00

A disputa interna do PMDB mineiro esquentou nesta semana e expõe nuances antes não reveladas.

A bancada estadual conseguiu o apoio de grande parte da federal para referendar a aliança eleitoral com o governador Fernando Pimentel (PT). Hoje, é esperado uma reunião dos parlamentares com o governador. No encontro, eles irão prometer ao petista a reedição da aliança, no próximo ano, que levou Pimentel ao poder, em 2014.

O movimento ocorre depois que o vice-governador, Antonio Andrade, peemedebista contrário ao apoio a Pimentel, pediu ao presidente nacional do partido, senador Romero Jucá, que barrasse a iniciativa dos colegas. Jucá torce o nariz para a aliança com o PT. Porém, a decisão que será tomada em Minas tem impacto em outros estados, como Alagoas, cujas articulações eleitorais colocam em um mesmo barco petistas e peemedebistas. Soma-se a isso a insatisfação de parte do PMDB com o namoro político do presidente Michel Temer com o PSDB, que vira e mexe ameaça abandonar o governo e não atuou para que o presidente continuasse no cargo.

No último dia 30, parlamentares mineiros encaminharam um ofício a Jucá contrapondo os argumentos dos contrários à aliança com Pimentel.

Expuseram o racha. Informaram que existem quadros ameaçando abandonar o partido em virtude da cisão. E apontaram Andrade e o deputado federal Rodrigo Pacheco como motivo da discórdia. Pacheco é o nome de parte do PMDB para a candidatura ao governo do Estado, caso ocorra o rompimento com Pimentel. Os parlamentares citaram a nomeação, por Andrade, de um “nome particular” para a presidência da Fundação Ulysses Guimarães, quando a Executiva escolheu outro nome. “Esses movimentos e outros que o acompanham estão gerando apreensão no partido em Minas, já havendo sinais de migração de candidaturas para outros partidos, bem como de desistência de candidaturas de grande e tradicional apelo”, diz o documento assinado pela bancada estadual e a maior parte da federal.
A bancada também expôs uma preocupação, que, conforme interlocutores, é o principal mote da disputa. A reeleição das bancadas. No documento, justificam que, coligados com o PT, conseguiriam eleger um número maior de deputados, a exemplo do que ocorreu em 2014.

Além da coligação, a eleição proporcional depende e muito do Fundo Eleitoral bilionário que irá financiar o pleito. Mas aí é que está o detalhe crucial. Antonio Andrade é presidente do PMDB e, por consequência, dono da caneta.

Por outro lado, quando faltar seis meses para as eleições, o governador perderá a caneta na liberação de emendas parlamentares e obras em bases eleitorais.
É aí que a disputa do PMDB pode chegar ao fim com a escolha de um dos lados.

O PMDB nacional não deve tomar posição neste ano. Deve empurrar com a barriga qualquer decisão. A Executiva Nacional dita a política de alianças. Mas pode também emitir resolução passando a bola para os diretórios estaduais, como apostam os aliados de Pimentel em Minas. Com isso, a aliança com o PT será decidida na convenção da legenda, marcada para junho. Soma-se ao cenário a situação jurídica do governador, que pode ser decidida até a eleição.

Até lá, os movimentos hoje colocados podem não ter efeito até a convenção, apesar de fortalecerem os grupos envolvidos. Ainda há muita água para passar nessa ponte!


 

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