Lista bomba de Janot bombardeia reformas

Amália Goulart / 14/03/2017 - 06h02

A lista de políticos que o procurador-geral Rodrigo Janot sugere envolvimento com esquemas de corrupção foi, de longe, o assunto mais comentado ontem nas rodas de caciques. Gerou tensão no Palácio do Planalto e, entre deputados governistas e oposicionistas, uma certeza: terá impacto nas reformas da Previdência e Trabalhista.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), conversará hoje com líderes partidários e de bancadas para analisar a extensão do problema. 

A situação mais grave diz respeito à reforma da Previdência. Isso porque o articulador central das mudanças é Eliseu Padilha (PMDB). O ministro da Casa Civil de Michel Temer (PMDB) é peça fundamental na “Lava Jato”. Em vários depoimentos, foi citado. Foi apontado como o homem da negociação da propina pelo PMDB de Temer.

Segundo Marcelo Odebrecht, coube a Padilha a operacionalização dos pagamentos escusos ao partido dele. Com a lista de Janot, cresce a pressão pela saída do ministro, que pode dar-se até o fim da semana. Padilha perde credibilidade para negociar a reforma.

Não só isso, a suspeita de envolvimento de outros interlocutores de Temer fragiliza as negociações com o Congresso. 

O que se vê é, dia após dia, deputados declararem ser contrários a alguma das reformas. Ontem, por exemplo, foi a vez do deputado Laudívio Carvalho (SD) divulgar nota informando voto desfavorável ao pleito, do modo como está. Como ele, dezenas de parlamentares governistas passaram a desacreditar o texto da reforma. 

Se já estava difícil aprovar mudanças em leis tão significativas à sociedade, discuti-las com interlocutores que passarão metade do tempo em reuniões com advogados para preparar defesas em processos de corrupção tirará qualquer chance de avanço. 

Por isso, o governo decidiu que irá priorizar a aprovação da terceirização. Como trata-se de projetos que já estão em andamento há mais tempo, aliados de Temer acreditam que será mais fácil ter êxito. Na semana que passou, deputados foram consultados sobre a possibilidade de colocar em votação a matéria em no máximo dez dias. Centrais sindicais também foram ouvidas.

Mas, até mesmo a terceirização dependerá do humor político que veremos nos próximos dias. 

STJ
No caso dos governadores citados na “Lava Jato”, terá grande impacto a retomada do julgamento de Fernando Pimentel (PT) no Supremo Tribunal Federal, no âmbito da operação Acrônimo. 

A decisão do Supremo ditará como devem ser processados os governadores país afora. Como mais de um governador deve formar a lista de Janot, já se diz, no meio jurídico, que, em nome da estabilidade, a Suprema Corte pode decidir que Assembleias Legislativas não precisam dar permissão para que governadores sejam processados. Porém, eles não serão afastados imediatamente dos cargos. 


CPI
A oposição na Assembleia Legislativa tenta assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o subsídio dado pelo governo mineiro à empresa que opera os voos regionais. O problema é conseguir deputado para assinar.

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