MDB decide hoje se terá candidato ao governo de Minas

Amália Goulart / 01/05/2018 - 06h00

Os delegados do MDB mineiro decidem hoje se romperão a aliança com o governador Fernando Pimentel (PT), lançando candidato para a disputa ao Palácio da Liberdade. O pré-candidato já tem nome: o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, o mesmo que autorizou a abertura de processo de impeachment contra o governador na última semana.

Existe no partido um sentimento crescente por candidatura-própria. Segundo o cacique Newton Cardoso, esse sentimento vem das bases, do interior. Os delegados contam com motivo extra para ajudar na tomada de decisão. Pesquisas de intenção de voto colocam o governador, o ex-prefeito Marcio Lacerda (PSB) e o senador Antonio Anastasia (PSDB) embolados na frente. Pimentel até tem vantagem, mas é pequena. Além disso, pelo interior, prefeitos demonstram insatisfação com atrasos de repasses. O processo de impedimento da última semana é mais lenha para a fogueira.

Quem aposta na manutenção da aliança, como o deputado federal Fábio Ramalho, acredita que Pimentel irá vencer a disputa, já que, apesar das adversidades, ainda mantém liderança e está à frente da máquina. Os aliados do petista lembram que apenas um governador em Minas, depois da redemocratização, tentou a reeleição e não conseguiu. Foi Eduardo Azeredo (PSDB) que perdeu para Itamar Franco em 1998, quando disputava mais um mandato. Nessa época que surgiu, conforme investigações, o Mensalão Tucano. Aliás, a acusação de corrupção durante a campanha pode levar Azeredo, nos próximos meses, para a cadeia.

Voltando ao cenário atual, a decisão do MDB terá poder para influir no processo eleitoral e também no impedimento de Pimentel na Assembleia. Caso os emedebistas decidam avalizar novamente a união com o PT, o processo de impeachment deve ser enterrado na Casa. Na quinta-feira, Adalclever reúne o Colégio de Líderes para tratar da situação do governador. Será aí que ele dará sinais aos aliados para prosseguir ou acabar com o procedimento que pode custar o restinho de mandato de Pimentel.

Por isso, todo o meio político está de olho na decisão do MDB de hoje. Se ela for pela candidatura própria, pode ser um claro sinal de que, como no plano federal, os dois partidos não serão mais aliados em Minas. Se o MDB de fato não estivesse pensando em um caminho solo, teria deixado essa decisão para as convenções, em julho.

Por outro lado, há quem garanta que as ameaças são um sinal para que a aliança possa ser selada, mas nos termos do MDB. O que quer dizer que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) não concorreria ao Senado, deixando o caminho livre para Adalclever, e que o presidente da Assembleia seria o responsável pela indicação do próximo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, na vaga deixada por Adriene Andrade.


Tais questionamentos começam a ficar claros hoje, com a decisão do MDB. Ontem, vários deputados costuraram com os delegados, em busca de uma posição comum. Mas, como o MDB é o partido mais dividido que se tem notícia, tudo pode acontecer! 
 

 

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