Newtão: “PMDB está enrolado até o pescoço” com a Odebrecht

Amália Goulart / 15/03/2017 - 06h26

Aos 79 anos Newton Cardoso é um homem bem-humorado, rico e muito, muito influente no cenário político. Já foi prefeito, governador, parlamentar por vários anos e agora apenas administra os milhões (já chegou a declarar que seriam bilhões) e dá palpite no cenário político regional, nacional e na carreira do filho, que fez deputado federal. 

Para se ter uma ideia da influência que ainda mantém, ele convidou algumas dezenas de lideranças, entre elas o governador Fernando Pimentel (PT) e o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes (PMDB), para um almoço em uma de suas fazendas no interior de Minas. Todos foram. 

Ontem, conversei com Newtão por telefone para uma análise, de quem já esteve envolvido nos meandros da política, do cenário conturbado, às vésperas da delação da Odebrecht. “Primeiro, por que você não foi à minha festa?”, questionou Newtão, sempre em tom bem-humorado. “Isso tudo é verdade. Não tem nenhuma mentira nisso”, disse ele em seguida, quando perguntei sobre a veracidade das inúmeras delações dos executivos da Odebrecht. 

Newton Cardoso é um dos fundadores do PMDB. Conhece e faz parte do círculo de convivência de dezenas de lideranças. “O PMDB está enrolado até o pescoço. Tem muita lama”, afirmou quando questionado se acredita no envolvimento do partido em casos de corrupção. Mas Newtão poupou o presidente Michel Temer, também filiado nos quadros do partido há tempos. “Ele é inocente”. 

Para o ex-deputado, depois que passarem as instabilidades advindas com a crise política, o país “terá jeito”. O problema é permitir que a Odebrecht trabalhe. “Tem que fechar a empresa”, concluiu. Para ele, os empreiteiros “são perversos”. Newtão diz que, quando ocupou cargos públicos, não roubou dinheiro do erário. E ainda assim fez muita obra. Ele também acredita que Lula “está envolvido” com malfeitos.

Para fechar a conversa, ele acredita que, em breve, Temer convidará o filho, Newton Cardozo Júnior (PMDB), para um cargo de ministro. Isso, será fácil, basta sair logo a lista da Odebrecht. Newtão concorda e deve ter o pleito atendido. 

Vaga de deputado
O partido Novo vai abrir um processo seletivo para aqueles que quiserem concorrer a uma vaga de deputado federal ou senador nas eleições de 2018. 

O vereador de Belo Horizonte, Mateus Simões, conduz o processo em Minas. Em um vídeo divulgado no Youtube, o vereador diz que a ideia é conhecer a fundo o que pensam os aspirantes a cadeiras no Parlamento. 

“ Você contrataria uma pessoa para trabalhar sem uma entrevista?”, questiona. Ainda não estão disponíveis mais informações sobre como se inscrever para o processo. Certamente, o aspirante deve ter filiação partidária, ao Novo, por óbvio. 

Granbel
Tomam posse hoje os novos diretores da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel). O prefeito de Nova Lima, Vitor Penido, comandará a Associação no posto deixado por Carlos Murta, ex-prefeito de Vespasiano.

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