Pré-candidato à Presidência, Meirelles apela a empresários mineiros pela Previdência

Amália Goulart / 09/02/2018 - 06h00

Citado como possível candidato à Presidência da República, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), desembarcou ontem em Belo Horizonte com um apelo a empresários mineiros para que pressionem deputados a votarem favoravelmente à reforma da Previdência. A ideia dele é a de que os empresários, que muitas vezes ajudaram a bancar campanhas eleitorais, liguem para os parlamentares próximos com o pedido em mãos.
“Acredito que tem empresários aqui que conhecem parlamentares”, afirmou a uma plateia de cerca de 100 representantes de diversos setores reunidos no evento Conexão Empresarial. “Todo mundo que acha que tem que aprovar, liga para o deputado”, concluiu. 


A apelo tem motivo. O governo não sabe mais o que fazer para aprovar a reforma. Já cedeu em alguns pontos, mas, se ceder demais, não terá a economia que precisa ser feita para alicerçar o caminho da retomada. 

A aprovação da reforma traz dois pilares importantes para o grupo do presidente Michel Temer (PMDB). O econômico, como demonstrou Meirelles a empresários mineiros. O ministro deixou claro que todos sofrerão as consequências de um gasto governamental que consome 50% do orçamento. Teríamos baixo índice de investimento público, para fomentar a economia, e reflexo em outros indicadores. Os empresários, calejados após dois anos de recessão, querem respirar. Daí o apelo do ministro. Ele tem rodado o país conversando com o setor; 

E tem ainda o pilar político. Ontem, o ministro Meirelles discorreu sobre dois exemplos que jogarão luz à sucessão presidencial.
Um empresário questionou o motivo pelo qual as taxas de juros no país ainda continuavam altas, mesmo com a redução da Selic ao menor patamar histórico. O ministro disse que o repasse ao consumidor é gradativo. 

Ele também citou o exemplo de um passeio que fez a um supermercado, anotando preços de mercadorias. Perguntou a uma dona de casa se a inflação estava alta. Ouviu diversas queixas. Pediu à assessoria um levantamento de preços dos produtos mencionados e comprovou que de fato a inflação estava abaixando. 

Resumo da ópera: do empresário à dona de casa, ninguém acha que a recessão passou. A inflação acumulada em 12 meses está em 2,86%. A Selic, em 6,75%. A taxa de desemprego ainda é alta, mas caminha para a˜ redução. Ou seja, os números são otimistas. Mas parece que a população não percebeu isso ainda. Para Meirelles, até o fim do ano haverá uma mudança de percepção. 

O candidato do governo, que pode ser o próprio ministro da Fazenda, terá a tarefa de fazer com que as pessoas justamente entendam que a vida delas está melhorando. O problema é que pode não haver tempo hábil para isso, nem uma estratégia de comunicação eficiente. Por isso mesmo, o PSD pensa em trocar o nome de Meirelles por outro quadro, mais viável eleitoralmente. 
O ministro não negou nem confirmou a intenção de entrar na disputa. Disse que deixará para se decidir no dia 7 de abril. A amigos, já confidenciou o sonho em se candidatar algum dia. 

MDB
O MDB decidiu ontem alterar a data das prévias  de 17 de março (conforme informei ontem) para 1º de maio. O partido diz, por meio de nota, que mudou o dia pois desejar saber quem estará filiado à legenda, tendo em vista que a janela para troca de agremiação acaba no dia 7 de abril. Agora, Rodrigo Pacheco terá que decidir se sai da legenda e vai para o DEM, disputar o governo de Minas, antes de uma definição da própria sigla, que pode apoiar Fernando Pimentel (PT). 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários