Venda da Votorantim para Arcelor pode ser barrada

Amália Goulart / 07/09/2017 - 06h00

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou a operação de aquisição da Votorantim Siderurgia S.A. – que pertence ao Grupo Votorantim - pela concorrente, a gigante no setor ArcelorMittal Brasil S.A. 

Para barrar a venda, o relatório da Superintendência precisa passar pelo crivo do Tribunal do Cade. Mas é uma sinalização de que o negócio pode ir água abaixo.

Os técnicos do Conselho alegaram que a operação iria restringir a competitividade, já que trata-se de duas das três maiores empresas do mercado de aços longos comuns. O maior prejudicado seria o mercado interno de matérias-primas para atividade siderúrgica. Também seriam afetados outros pequenos fornecedores de sucatas e corte e dobra de vergalhões. 

Conforme relatório da Superintendência-geral do Cade, a transação significaria a eliminação de um player relevante em um segmento onde as três maiores empresas respondem por mais de 80% da oferta do mercado. 

A operação foi anunciada pelas duas empresas em fevereiro. O valor não foi revelado. Se der certo, a Arcelor consolida a liderança na produção de aço no país. O negócio proporcionaria uma produção de 5,6 milhões de toneladas de aço bruto e 5,4 milhões de toneladas de laminados. A Arcelor tem forte atuação em Minas. 

O Cade analisa também outra operação vultosa no meio siderúrgico. Está para sair o parecer sobre a aquisição da CSA pela ítalo-argentina Ternium. 

No caso da Arcelor e Votorantim, a Superintendência-Geral do Cade verificou que a rivalidade exercida nos mercados em que há outros ofertantes — como CSN, Silat, Sinobrás e Simec — não é suficiente para afastar preocupações concorrenciais, dado que tais concorrentes não possuem capacidade efetiva para contestar o elevado poder de mercado detido por ArcelorMittal e Votorantim.

Verificou-se também que, devido à diminuição de demanda por aços longos comuns em consequência da atual crise econômica enfrentada pelo Brasil, o setor apresenta elevada capacidade ociosa detida pelas empresas já consolidadas, o que torna improvável a entrada de novos concorrentes.

De acordo com o parecer, um pacote de desinvestimentos que pudesse endereçar de forma adequada todas as preocupações identificadas seria de difícil desenho, com resultados incertos em termos de efetividade. 

Desse modo, a Superintendência-Geral concluiu que a operação pode resultar em elevação de preços de aços longos decorrente de um aumento do poder de mercado da ArcelorMittal e da elevação da possibilidade de atuação coordenada das grandes empresas do setor. 

O Departamento de Estudos Econômicos (DEE) do CADE também levantou preocupações semelhantes.

 

 

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