É preciso coragem para apostar no Brasil

Editorial / 15/07/2017 - 06h00

Há pelo menos um ano, este governo fala de sinais de retomada na economia brasileira. Embora já deixamos de despencar, estamos ainda dando os primeiros passos para se livrar do buraco que nos meteram. E com esse clima em Brasília, os horizontes para esta recuperação não são tão favoráveis. 

A crise ainda está aí, e quem diz o contrário é muito ingênuo ou está querendo demonstrar um otimismo que não cola para a sociedade em geral. Durante a reunião dos países mais ricos do mundo (sim, o Brasil estava lá), o presidente disse que não há mais crise no país, e os indicadores comprovam. Talvez a assessoria não o tenha  atualizado sobre as revisões, para baixo, de crescimento do país e de alguns setores como a indústria, que mostramos hoje. Lembrando que a comparação é com o ano passado, um dos piores anos da história do país, de cenário econômico. 

Temer pode estar caindo no mesmo erro de Dilma Rousseff. A presidente passou os primeiros meses do segundo mandato defendendo supostos números que garantiriam a estabilidade da economia. Integrantes daquele governo chegaram a atribuir a uma invenção da mídia o clima de crise. Mas ao mesmo tempo que Dilma destacava que a situação estava controlada, milhares, e depois milhões, de trabalhadores foram perdendo seus empregos. E a população percebeu que era falada uma coisa completamente fora da realidade. A confiança se foi.

Temer já nem tem confiança da população para perder, mas adotar um comportamento igualmente fora da realidade não é o caminho para conquistá-la. 

E tudo mundo só investe onde e naquilo que confia. E investidores brasileiros e estrangeiros que ainda acreditam que o país pode ser uma boa oportunidade de negócio, se existem, devem estar com imenso receio, já que a situação política ainda está instável. Mesmo com algum sinal de estabilização, ninguém quer arriscar um aporte significativo sem alguma segurança de que as regras do jogo não mudarão. 

E as reformas impostas pelo governo de Michel Temer são feitas de maneira tão apressada e sem o diálogo amplo com a sociedade que podem não durar muito, ainda mais a pouco mais de um ano de eleições. É preciso ter muita coragem para apostar em um cenário político pacificado em curto prazo.

Para atrair os investimentos e colocar o país no rumo novamente, precisaríamos de uma agenda de reformas mais consistentes, melhor discutidas e que tivessem mais resultados a curto prazo para a economia. 

Mas enquanto o governo estiver mais preocupado em se manter até o próximo mês, fora especuladores, haverá poucos corajosos para apostar no Brasil. 

 

 

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