A penúria financeira da UFMG

Editorial / 31/10/2017 - 06h00

A vida dos estudantes das universidades já não é mais a mesma. Os cortes no orçamento das instituições federais de ensino pelo país afora resultam em obras paralisadas, pesquisas comprometidas, compras proibidas, serviços de vigilância e de limpeza reduzidos, além de prejuízos à infraestrutura e ao aprendizado dos estudantes. Em alguns casos, como na UNB, sobrou até para o bandejão. Por lá, o café da manhã ficou bem mais magrinho. 

Na UFMG, a maior universidade federal de Minas, o cenário também é de penúria. A primeira versão do orçamento federal para 2018, elaborado pelo governo Temer e que se encontra em tramitação no Congresso, tira R$ 31 milhões do montante previsto para a UFMG no ano que vem. Dinheiro que coloca em risco a assistência estudantil e atividades de pesquisa.
A tesourada do governo federal chega na pior hora possível. Em função da política de cotas, a universidade vem recebendo um número maior de estudantes oriundos de escolas públicas, que demandam mais por políticas de assistência estudantil, como auxílio-moradia e auxílio-alimentação. No entanto, segundo denunciam alunos, professores, servidores e coordenadores de projetos, a assistência estudantil não tem sido ofertada na proporção adequada. 

Com sete obras paradas e apenas duas em andamento, ainda que a passos largos, o momento atual da UFMG é descrito como muito dramático. Há redução do número de pessoas que atuam em serviços de manutenção, sucateamento de obras e diminuição do número de bolsas de graduação, consideradas essenciais para a formação de qualidade dos alunos. 
Além da UFMG, outras universidades apresentam queda no orçamento proposto para 2018, como a de Lavras, São João del-Rei e Juiz de Fora. 

O Ministério do Planejamento informou que uma mensagem complementar ao Projeto de Lei Orçamentária de 2018 será encaminhada ao Congresso até o final deste mês, com um complemento de até R$ 30 bilhões. É bom mesmo que isso se concretize. Pois não há país que saia da crise sem investimento em educação, pesquisa e desenvolvimento. Que possamos seguir a cartilha dos países mais desenvolvidos, que não abandonaram o ensino nem diante dos piores estrangulamentos financeiros. 

 

 

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