A profissionalização do crime

Editorial / 07/11/2017 - 06h00

O terror tomou conta da cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro, entre a madrugada e a manhã de ontem. Numa ação jamais vista no município, bandidos espalharam pavor e medo durante assalto cinematográfico à empresa de transporte de valores Rodoban, localizada no bairro chamado Boa Vista.

Ladrões fortemente armados explodiram o prédio da empresa e trocaram tiros com a polícia. Explosivos para destruir parte do imóvel foram utilizados. Era uma quadrilha muito bem articulada. Causou espanto nos policiais, por exemplo, a constatação de que os criminosos portavam armas que somente o Exército brasileiro possui. Entre elas, fuzil 556 e metralhadora .50, de alto poder devastador.

Carros foram queimados e veículos usados na ação, abandonados em estradas vicinais da região. Pregos foram espalhados nas ruas e até um transformador foi destruído. Algumas escolas chegaram a suspender as aulas. A recomendação era para que as pessoas evitassem a região do assalto, já que havia a suspeita de que assaltantes poderiam ter invadido imóveis no bairro.

Nos relatos dos moradores, o tom era de total desespero. Assustados com o barulho das rajadas de tiros, a sensação era a de que estavam em uma guerra. Rapidamente, a população começou a usar o telefone para alertar familiares e amigos, via WhatsApp, para que não saíssem de casa. O sistema de videomonitoramento, o Olho Vivo, também foi atacado.

Mais tarde, policiais localizaram o sítio onde os bandidos supostamente passaram a noite e se reuniram antes do ataque. O local fica às margens da MG-190, a cerca de três quilômetros de Uberaba. Também foi encontrado na zona rural um caminhão baú com carregamento de dinamites. Para a PM, as pistas mostram que o cerco, que conta ainda com as polícias civil e federal, segue na direção certa. Policiais de pelo menos 30 cidades trabalham na ação.

Fato é que a população está em pânico. A gigantesca proporção do ataque em uma cidade com menos de 400 mil habitantes, considerada de médio porte, escancara que a violência está para todo lado. E pior. Acende o alerta para o perigo de municípios semelhantes também se tornarem alvos. É como se a violência e a bandidagem tivessem se alastrando, se profissionalizando. E a população é refém.
 

 

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