A retomada do varejo

Editorial / 03/01/2018 - 06h00

A queda na taxa de juros, a estabilização do indicador de desemprego e a redução gradual do endividamento das famílias são os pilares para a retomada do consumo no país, neste 2018 que se inicia. A temporada de liquidações no varejo é a aposta de bons ventos para mudar a curva descendente que afligiu o setor por dois anos consecutivos. 

Conforme a Confederação Nacional do Comércio (CNC), os números de 2017 devem apontar crescimento nas vendas de 3,7%. Pode parecer pouco, mas, tendo em vista uma base de comparação ruim, o indicador é o esteio para um horizonte com mares mais calmos.

Após recuo de 0,9% em outubro, as vendas no varejo cresceram em novembro, influenciadas pela Black Friday, e devem fechar o ano no azul, com o otimismo do Natal. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) ainda não divulgou os dados. Porém, analistas de mercado e representantes do setor, como a CNC, garantem crescimento acima das expectativas. Tanto que as ações dos principais grupos de varejo que atuam no país começaram o ano tendo valorizações significativas. 

O Magazine Luiza, por exemplo, contabilizou alta de 500% nos papeis de janeiro a dezembro de 2017. 

O cenário torna-se ainda mais animador com a intenção de consumo das famílias. Conforme a CNC, é a melhor desde 2015. 
A explicação está na retomada gradual da economia. Quando é instalada uma crise financeira, com aumento drástico do desemprego, a primeira decisão do consumidor é colocar o pé no freio. Sem garantia de que no próximo mês estará empregado, o trabalhador para de comprar, ou retarda a decisão de gastar. Mas o consumo é um dos principais motores da economia. Ele garante o emprego, na cadeia daqueles que vendem. Com mais trabalhadores empregados, mais se consome, gerando renda e formando um ciclo. 
Logo, quando a economia vai bem, o varejo vai melhor ainda. Por isso, a primeira temporada de liquidações do ano é tão aguardada para o setor e também para o consumidor, que mostrou-se retraído durante o pior momento da crise e, agora, mostra apetite para gastar. 

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