Bancos de leite materno têm de sair do negativo

Editorial / 01/08/2018 - 06h00


A Semana Mundial de Aleitamento Materno, que começa hoje, é excelente oportunidade não apenas para que lactantes vençam eventuais barreiras e preconceitos e alimentem os filhos com esse poderoso e natural nutriente, pelo menos, até os seis meses de vida. Também é momento ideal para que se incentive mais mulheres a fazer doações aos bancos de leite, proporcionando a milhões de crianças em todo o planeta – muitas delas prematuras, internadas em UTIs ou tolhidas por motivos variados de receber o alimento das próprias mães – melhores condições de saúde.

Embora o Brasil seja considerado referência em programas de coleta e distribuição de leite materno, segundo a Organização Mundial de Saúde, o que se tem visto em muitos Estados, caso de Minas, infelizmente, é uma retração nas doações.
Conforme reportagem desta edição do <CF24>Hoje em Dia</CF>, atualmente, em Minas, pelo menos oito dos 15 bancos de leite humano estão funcionando no limite. Em alguns deles, não há sequer estoque do alimento. Entre as causas detectadas para a baixa, o período de inverno e de férias escolares explicaria, em parte, a redução da ida das lactantes aos bancos. 

Mas há, segundo especialistas, outras questões envolvidas, que implicariam no desestímulo das doadoras. 

Por desinformação, por exemplo, algumas mães temeriam que o gesto, por mais nobre e necessário, pudesse trazer riscos para os próprios filhos, como o de deixá-los sem leite. 

O que ocorre, porém, é o contrário: quanto mais a mulher amamenta ou esvazia as mamas, mais leite ela produz.

Outras lembram que a doação requer tempo e cuidados excessivos, o que seria incompatível com suas rotinas. Mas não custa lembrar que, além de ajudar a salvar a vida de muitas crianças – um pote de leite doado alimenta até dez bebês por dia, segundo o Ministério da Saúde –, a atitude traz inúmeros benefícios às próprias lactantes, como a diminuição dos riscos de câncer de mama e o de ovário.

O que resta é esperar que campanhas intensivas de sensibilização sobre o tema, como a ser feita nesta semana, possam ajudar a reverter a situação. Afinal, gestos de amor podem exigir algum sacrifício, mas que são mínimos diante dos benefícios gerados – como é o caso. 
 

 

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