Big brother junto ao volante

Editorial / 03/04/2018 - 06h00


Não tem mais volta, a tecnologia está em toda parte. As câmeras, hoje grandes aliadas para garantir a segurança tanto em espaços privados quanto públicos, passam a ser usadas também nos exames de direção para tirar carteira de motorista. Em Minas Gerais, a previsão é a de que os exames de rua passem a contar com a ferramenta este ano. Embora seja refutada pelos candidatos, que temem ficar nervosos sendo vigiados pelos equipamentos, a medida, que atende a portaria publicada em 2014 pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), promete trazer mais transparência ao exame, uma vez que as imagens ficarão gravadas para possíveis questionamentos posteriores sobre o resultado do teste.

Em Minas, o índice de reprovação dos candidatos a motorista é de 70% e alguns especialistas da área acreditam que essa porcentagem irá aumentar com o monitoramento eletrônico – já que ficará mais difícil para o examinador fazer “vista grossa” diante de deslizes dos alunos. 
Por isso, os candidatos deverão se preparar para manter ainda maior equilíbrio emocional e imaginar, durante o exame, que não existem câmeras. Afinal, somos filmados diariamente nas ruas e em lugares privados sem saber que somos vigiados. Vivemos em um verdadeiro Big Brother. Não há por que os candidatos temerem então essa vigilância.

Pelo contrário, as imagens poderão servir de provas para que entrem com recursos em relação, por exemplo, à conduta do examinador. Há muitas reclamações de candidatos que, depois dos exames, reclamam que se saíram bem, mas acabaram reprovados e não têm como provar se foram de fato bem-sucedidos, pois terão como argumento apenas a palavra deles contra a dos examinadores. O vídeo servirá como grande “testemunha” nestes casos.

Um dos pontos negativos é o custo que poderá ser repassado aos candidatos – já que as autoescolas terão que equipar os veículos com as filmadoras. Caso essa despesa se confirme, provavelmente será repassada a quem está na ponta do processo: o consumidor. Ou seja, tirar carteira de habilitação tende a ficar mais caro – pior para quem, em um país com quase 13 milhões de desempregados, sonha ter a CNH nas mãos para conseguir um emprego como motorista. 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários