Caminhoneiros sob efeito de drogas

Editorial / 05/03/2018 - 06h00

Um dos maiores perigos nas estradas são os caminhoneiros que dirigem à base de drogas proibidas. E infelizmente isso é muito mais comum do que a gente pode imaginar. As consequências costumam ser trágicas e violentas. O consumo dessas substâncias contribui muito para que o número de acidentes aumente cada vez mais em todo o território nacional. O resultado são vidas em risco e famílias ceifadas.

Estudo do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostrou que quase um terço  dos caminhoneiros  estava dirigindo sob efeito de drogas fortes, principalmente cocaína e rebite, um remédio para emagrecer proibido há anos nas farmácias e drogarias do Brasil. É a estratégia ilegal e prejudicial à saúde que os motoristas insistem em usar para tirar o sono e poder rodar mais e com maior velocidade. Vale tudo - ou quase tudo - para chegar ao destino a tempo, descarregar a mercadoria e receber o pagamento.

E o que já era ruim nas rodovias ficou pior. A flexibilização da jornada dos motoristas profissionais, trazida pela Lei dos Caminhoneiros, deixou as estradas ainda mais perigosas. A legislação, que acaba de completar três anos, abriu brecha para que os profissionais ficassem até doze horas no percurso, o que havia sido proibido em 2012, através da Lei do Descanso.

De carona com a nova legislação veio o retorno do aumento do uso de drogas para amenizar o cansaço do volante e, consequentemente, o avanço das  mortes nas rodovias. Foi um retrocesso. Ou como se diz na linguagem do trânsito, uma marcha à ré.

Outro estudo do Ministério Público do Trabalho apontou que 55% dos caminhoneiros que carregavam perecíveis, com maior pressão de entrega devido ao risco de perder a mercadoria, usavam drogas. E mais. A principal substância consumida nas rodovias agora é a cocaína. Pasmem-se.

Sem fiscalização e pontos de paradas oficiais, o descanso obrigatório de 30 minutos a cada cinco horas e meia de direção também acontece só no papel. Na vida real, a maior parte dos caminhoneiros para só quanto a fome aperta ou o sono “derruba”. Ou então quando um acidente interrompe a jornada.   

 

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