Carnaval de BH combate o assédio

Editorial / 10/02/2018 - 06h00

Com a expectativa de reunir 3,6 milhões de foliões nos quatro dias da Festa de Momo em Belo Horizonte, sendo pelo menos 180 mil turistas, e estimativa de injeção de uma pequena fortuna na economia da cidade - só a rede hoteleira deve ficar com a fatia de R$ 30 milhões -, não há dúvidas de que o Carnaval na capital mineira ganhou ares e importância de gente grande. A dimensão alcançada pela folia nos últimos anos já é mais do que suficiente para mostrar ao resto do país que BH entrou de vez no mapa nacional da folia. Mas engana-se quem pensa que o tom é só alegria e descontração.

Cientes da relevância do papel de destaque que ocupam, blocos entraram na onda e assumiram uma postura crítica e dura contra todos os tipos de abusos. A luta foi incorporada à diversão e está estampada nas cores, fantasias e temáticas dos grupos que organizam os cortejos.

Enche o peito de orgulho ver a adesão em massa das carnavalescas belo-horizontinas ao lema “Não é Não”, prova de que comportamentos machistas serão amplamente combatidos durante o Carnaval. A campanha, que foi iniciada no Rio de Janeiro, é sucesso absoluto por aqui. Tanto é que mais de cinco mil tatuagens temporárias com os dizeres já foram distribuídas na capital.

O projeto começou a florescer no Carnaval carioca do ano passado. De lá pra cá, um grupo de mulheres resolveu ampliar a iniciativa, buscando financiamento coletivo pela internet. O resultado deu muito certo e hoje já são cinco estados participantes: São Paulo, Pernambuco e Bahia, além de Rio e Minas. As tatuagens são fortes mensagens de que o assédio começa realmente depois do NÃO.

Para as mulheres que estão à frente de grandes blocos, a ação não é apenas oportuna, como também necessária. É hora de pular, cantar, festejar, mas também de gritar bem alto que não há mais tolerância para desrespeitos contra as mulheres. Nem no Carnaval, nem em qualquer outro lugar. Líderes dos blocos ameaçam até parar o desfile em caso de flagrante.
A intenção é deixar bem claro que a roupa escolhida pela mulher não é aval ou desculpa para que ela seja tocada por ninguém. Os tempos são outros. E os machistas perderam o jogo!

 

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