Consumidor paga o pato

Editorial / 07/09/2017 - 06h00

Sete postos de combustíveis da capital mineira burlaram a lei e praticaram um mesmo preço (que não foi lá dos mais baratos) aos consumidores. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) firmou acordo com eles, com um sindicato e três pessoas físicas, para que paguem R$ 10 milhões e não incorram mais na prática de cartel, lesando os consumidores. 

A decisão ocorre justamente no momento em que o preço da gasolina registra escalada desde que a Petrobras decidiu alterar a política de mercado. Quem paga o pato, obviamente, é o consumidor. Além de pagar caro pelo combustível que chega da distribuidora, tem o valor do litro acrescido por práticas consideradas ilegais nas revendedoras. 

A situação é tão grave que os postos terão que devolver R$ 10 milhões ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos para que o processo no Cade não prossiga. 

O resultado pesa na inflação. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) informou que o combustível foi o vilão do índice oficial de preços, o IPCA. Apenas em agosto, a alta registrada foi de 6,67%. A inflação brasileira está sob controle, porém, uma pressão mais intensa nos preços dos combustíveis, por exemplo, pode acabar por desequilibrar a balança a médio prazo. 

A perspectiva do mercado é a de alta nos próximos dias. Após o aumento de agosto e setembro, a Petrobras reduziu o preço em 3,8% ontem, percentual que não supera os reajustes em sequência. Mas deve aumentá-lo em breve, tendo em vista os problemas climáticos nos Estados Unidos, que impactaram o preço do produto no mercado internacional. 
Apenas em agosto, o IBGE registrou 19 altas nos valores da gasolina.

Levantamento feito pelo "Hoje em Dia" mostra que, nos últimos quatro anos, a alta nos preços da gasolina superou a inflação em quase dez pontos percentuais. O diesel e etanol também encareceram.

Quando o combustível fica mais caro, o valor do frete sobe e, por consequência, dos produtos transportados por eles. Como o combustível é insumo da indústria, o efeito é em cascata. No fim das contas, o aumento pode ser sentido não só na bomba. 

 

 

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