Conta alta para os passageiros do metrô

Editorial / 08/05/2018 - 06h00

O transporte público brasileiro é considerado um dos mais ineficientes do mundo. Passageiros enfrentam diariamente o desconforto de trens e ônibus lotados, longas horas de espera, falta de segurança e equipamentos ruins. As tarifas, que não fazem jus aos serviços, também causam vergonha e grande descontentamento na população. A indignação é tanta que, em 2013, o aumento das passagens foi estopim para que surgisse uma onda de manifestações em todo o Brasil que marcou a história da nação. Prova de que o custo do transporte causa impacto na vida dos brasileiros, sobretudo em tempos de crise econômica. 
Em Belo Horizonte, os usuários do metrô foram surpreendidos com o anúncio do reajuste de 89% na tarifa, válido a partir da próxima sexta-feira.

O passageiro que desembolsava R$ 1,80 pelo bilhete passará a pagar R$ 3,40. Ida e volta para o trabalho terão um custo de R$ 6,80. Mas, para muitas pessoas, a viagem ficará ainda mais cara, uma vez que a maioria dos usuários do metrô na capital e em Contagem não costuma usar somente os trens metropolitanos para chegar ao destino. Como as estações encontram-se distantes do Centro e, em muitos casos, de locais que oferecem serviços e comércio, muitos usuários são obrigados a recorrer a um segundo meio de transporte. A falta de planejamento para o metrô - cujas obras se arrastam há anos e as linhas 2 e 3 não saíram do papel - acaba impactando na qualidade dos serviços e impondo gastos maiores para quem precisa se deslocar. 

A CBTU alega que o aumento de quase 90% no preço do bilhete tem como objetivo repor as perdas com a inflação. Há 12 anos as tarifas não são reajustadas. Mas vale lembrar que os usuários também são castigados com a elevação dos gastos, nos últimos anos, de itens como alimentação, vestuário, medicamentos e energia, o que deixa a luta pela sobrevivência mais árdua para milhares de famílias mineiras. Um caminho precisa ser encontrado para que os passageiros não paguem um custo tão alto. É urgente uma solução pelo poder público para reduzir este impacto junto à população. Um protesto já está marcado contra o aumento. 
 

 

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