Contagem regressiva para jatos na Pampulha

Editorial / 10/11/2017 - 06h00

Atenção, passageiros de Belo Horizonte. Apertem os cintos. Os jatos no Aeroporto da Pampulha estão muito próximos de decolar. Apesar das opiniões contrárias, após a divulgação da portaria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 25 de outubro, que estabeleceu os critérios para a operação de jatos no terminal, a expectativa é a de que o aeroporto possa receber até quatro voos por hora, seguindo o rodízio estabelecido pelo órgão regulador. O texto prevê o limite de embarque de 300 passageiros por hora.

Façamos as contas. O Aeroporto da Pampulha movimentou em 2014, quando ainda recebia voos regionais da Azul Linhas Aéreas, menos de 950 mil passageiros. Vale lembrar que a capacidade anual do terminal é de 2,2 milhões de passageiros, de acordo com dados da Infraero. Então, apenas naquele ano, houve uma ociosidade de 1,25 milhão de passageiros, aproximadamente.

Se tomarmos esse número de passageiros que o terminal ainda poderia comportar, ou seja, 1,5 milhão, e dividi-lo pelos 365 dias do ano, o terminal teria a capacidade ociosa de cerca de 3.400 passageiros por dia.

Entretanto, tempos depois, a situação é ainda pior. Durante todo o ano de 2016, somente 300 mil passageiros embarcaram ou aterrissaram no terminal da Pampulha, o que rendeu aos cofres públicos um prejuízo de quase 30 milhões. Usando um dado mais recente, de janeiro a junho de 2017, apenas 110 mil passageiros utilizaram o aeroporto. Mais prejuízo à vista.

Pensando em sair do vermelho, a Infraero faz forças para ter logo de volta os jatos e a ponte aérea. A definição da quantidade de voos que serão operados por cada companhia dependerá do resultado do pedido de alocação dos slots – horário para pouso e decolagem – que será divulgado pela Anac na próxima segunda-feira. Após esse processo, as empresas vão precisar solicitar novamente a aprovação das novas rotas e, então, começar a operar. Setenta e sete pedidos de diversas companhias estão à espera.

Felicidade para alguns, tristeza para outros. Concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Confins, a BH Airport foi ao STJ para tentar barrar a liberação no terminal concorrente. Mais momentos de turbulência estão por vir.
 

 

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