Cooperativas de crédito avançam na crise

Editorial / 01/08/2017 - 06h00

Enquanto os bancos estão fechando a torneira do crédito, as cooperativas vão no sentido contrário. Com taxas de juros e serviços bancários mais baratos e distribuição de sobras aos associados, elas driblam a crise e avançam no país. 

Está ficando cada vez mais comum ouvir histórias de pessoas que, com as portas fechadas nos bancos tradicionais após muita peregrinação e burocracia, conseguiram o sonhado empréstimo em uma cooperativa de crédito, seja para tocar a empresa ou desafogar o orçamento apertado. 

Dados do Banco Central mostram que aproximadamente 9 milhões de brasileiros já são “cooperados”. Em Minas, são quase 1,5 milhão. No ano passado, as cooperativas de crédito registraram crescimento de 38,6% no total de depósitos, em comparação a 2015.

No caminho inverso dos grandes conglomerados financeiros, que estão enxugando o número de agências físicas e investindo na internet, para as cooperativas de crédito quanto mais agências maior a proximidade e contato com os associados. 

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), são mais de mil cooperativas espalhadas pelo país, com cerca de 5.500 postos de atendimento. E muitas delas estão em cidades onde sequer existe agência bancária. 

Para os próximos anos, a expectativa é que as cooperativas ganhem mais participação no sistema financeiro do país. Atualmente, elas representam somente 3%. 

Até 2025, o desafio é alcançar os dois dígitos. E então ter o porte equivalente a um dos maiores bancos convencionais do país. 

Em seu livro Para Entender o Mundo Financeiro, o economista Paul Singer resume bem a lógica do cooperativismo: 
“Há muito mais sonhos à procura de crédito do que ativos financeiros para viabilizá-los. Do jeito que o mundo financeiro está organizado, o acesso ao capital via crédito é monopolizado por grandes intermediários capitalistas e está vedado à massa de produtores desprovidos de propriedades. Mas isso não precisa ser assim. Os produtores têm capacidade de organizar seu próprio sistema de poupança e empréstimo, desde que a autoridade monetária não se oponha”.

 

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