Crime organizado nas estradas do país

Editorial / 01/05/2018 - 06h00

A sensação de insegurança que impede a população de circular com tranquilidade pelas ruas e avenidas também tira o sossego nas estradas. O roubo de cargas cresce assustadoramente no Brasil, sendo que Minas Gerais – dono da maior malha rodoviária do país – figura entre os estados com maior incidência deste tipo de crime. O número de ataques a caminhoneiros e roubos de mercadorias em Minas cresceu 10% em 2017, comparado ao ano anterior. Na capital, o aumento foi de 56%. A expansão exige olhar mais atento dos órgãos de segurança pública, da Fazenda e da Justiça mineiros para conter a escalada deste tipo de crime, que causa danos aos empresários, motoristas de caminhões e aos consumidores.

Trata-se de um crime organizado e o trabalho exige repressão de todos os atores da cadeia, que envolve desde os ladrões que atacam, cada dia com mais violência, os motoristas nas estradas; os transportadores e receptores das mercadorias – grande parte comerciantes que adquirem produtos por preços mais baixos. As cargas roubadas são alimentos, cigarros, combustíveis, eletrônicos, produtos farmacêuticos, bebidas, roupas, autopeças e produtos químicos, considerados de fácil revenda. O desvio dessas cargas pelas quadrilhas, além de prejuízos financeiros aos caminhoneiros, impede que as mercadorias cheguem no prazo determinado até os comerciantes que agem na legalidade, além de prejudicar os consumidores.

Medidas como o maior policiamento nas estrada tornam-se urgentes para garantir a segurança dos caminhoneiros, assim como uma fiscalização rigorosa nos estabelecimentos comerciais. Em 2015, foi aprovado o decreto 8.614/15, que regulamentou a lei complementar 121, de 9 de fevereiro de 2006, que instituiu a criação da Política Nacional de Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas, que entre outras medidas prevê criação de planos, programas e estratégias de ação para a repressão de furtos e roubos de veículos e cargas. No entanto, o que acontece nas rodovias mostra que ainda há muito a ser feito. Estudos apontam o transporte de carga brasileiro como um dos mais perigosos do mundo.
 

 

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