Deixando de ser a Cidade Jardim

Editorial / 12/07/2017 - 06h00

Havia um tempo em que Belo Horizonte era conhecida nacionalmente por ser uma cidade extremamente arborizada e com clima ameno. Os mais antigos afirmam, inclusive, que o normal da cidade era ter temperaturas como as que foram registradas na semana passada, com recorde de frio dos últimos 40 anos. Médicos de todo o país indicavam uma temporada pelas nossas montanhas como parte do tratamento para doenças respiratórias. 

Até os não tão antigos podem perceber que o clima na cidade mudou. Os ventos não sopram tão fortes e gelados no alto da avenida Raja Gabáglia, onde a sensação térmica era próxima de zero em dias mais frios antes dos arranha-céus na região do bairro Belvedere.

Aos poucos as áreas verdes, que contribuíam bastante para o microclima belo-horizontino, foram suprimidas para a construção de empreendimentos imobiliários. Hoje, praticamente não há lotes vagos na cidade, nem ruas de terra, mesmo na periferia. Sinal de progresso ou de intervenção em um ecossistema?

Não se descaracteriza um ambiente são extenso e diverso como o que a cidade está inserido sem consequências significativas. É isso que parece estar ocorrendo com as nossas árvores. As poucas espécies que sobraram estão praticamente todas nas ruas, isoladas, descuidadas e desprotegidas. Como elas passaram a ser raridade, cada vez mais são mais disputadas por parasitas. É uma lei natural. 

O que não é natural é a falta de preocupação com o problema. Não sabemos nem quantas são as nossas árvores em espaços públicos, quanto mais quais espécies que podem apresentar risco para a população se infectadas com pragas. Pagamos, sim, pela falta de planejamento e de política ambiental décadas atrás, mas isso não é justificativa para a opção de tratar os problemas apenas na base da motosserra. 

Alguém precisa vir a público dizer se o tal de besouro ou a bendita da mosca-branca são ou não passíveis de combate e se vale a pena gastar tanto dinheiro com isso. Caso esses bichinhos não possam ser controlados, temos que apresentar uma política de recuperação da flora da cidade, optando por espécies mais adaptadas e resistentes, talvez frutíferas e nativas. 
Mas nos lugares das árvores cortadas, atualmente, só vemos tocos, que ficam lá por anos, sem qualquer medida de reflorestamento. Só servem para lembrar daquilo que nunca vamos ser novamente. 

 

 

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