Desigualdade assustadora

Editorial / 12/04/2018 - 06h00

A desigualdade de renda em Minas tem proporções gigantescas. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada ontem pelo IBGE. De acordo com o estudo, 1% da população do Estado - dona dos melhores rendimentos - recebeu em 2017, mensalmente, em média, R$ 18.925, ante a renda também mensal e média de R$ 724 percebida por 50% dos mais pobres do Estado. Ou seja, o valor dos ricos é 26,1 vezes maior que o dos pobres.

No país, a situação é ainda pior: 1% dos mais ricos teve direito a R$ 27,2 mil mensais de renda, 36,1 vezes mais que os R$ 754 mensais de metade dos menos favorecidos. O estudo mostra também desigualdade de renda em relação à raça e ao sexo, tanto em Minas como em todo o Brasil. Brancos recebem melhores salários que negros e mulheres continuam a ganhar menos que os homens. 

Economistas apontam a má distribuição de renda como um dos maiores entraves para o desenvolvimento de um país. Estudos revelam que quem ganha até dois salários mínimos paga 49% dos rendimentos em tributos e quem ganha 30 salários mínimos paga 26%. Quem assume a conta do contraste é o Estado, obrigado a arcar com o déficit social, com recursos escassos para investimentos. 

Apesar das políticas econômicas implementadas nos governos passados, que permitiram o surgimento de novos consumidores e uma dita classe média emergente, os números da pesquisa revelam que ainda existe um longo caminho para os próximos governantes reverterem tamanho contraste.

Economistas acreditam que a desigualdade tende a aumentar em função da crise econômica do país, com diminuição da renda e aumento do desemprego, que atinge quase 13 milhões de brasileiros. 

A busca de mais igualdade passaria também por mudanças culturais e de comportamento na sociedade para o combate ao racismo, além de medidas para maior valorização das mulheres no mercado de trabalho. 

Quando a pesquisa se refere à renda de negros e brancos, há mostras que resquícios das desigualdades da “casa grande” e da “senzala”, do Brasil do passado, insistem em estar presentes nas Minas Gerais do século 21. Pessoas brancas tiveram rendimento mensal médio de R$ 2.349, contra R$ 1.410 de pretos e R$ 1.594 de quem se declara pardo. Os movimentos em defesa da igualdade racial ainda terão muito que lutar, assim como as mulheres. Os homens mineiros receberam em média R$ 2.098 por mês em 2017, enquanto as mulheres ganharam R$ 1.609.
 

 

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