Dos tempos áureos ao abandono da Savassi

Editorial / 30/09/2017 - 06h00

A Savassi, que já foi lugar de glamour, local para footing (a paquera de antigamente) e sede do saudoso Cine Pathé hoje nem de longe lembra os tempos áureos. 

Ao custo de mais de R$ 11 milhões, a região passou por uma revitalização. Como a capital seria uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, a ideia era melhorar a infraestrutura e dar um ar mais moderno à praça. Os quarteirões das ruas Pernambuco e Antônio de Albuquerque foram fechados e ganharam novos jardins, bancos e iluminação. Quatro fontes luminosas foram instaladas para garantir o charme exibido em outras metrópoles. 

No entanto, as intervenções demoraram mais do que o esperado. Os proprietários de imóveis comerciais colocaram os preços dos aluguéis lá em cima. Em alguns casos, o valor ficou até 100% mais caro. E aos poucos as lojas tradicionais foram fechando. Deram adeus as livrarias Travessa, Status e Mineiriana e a tradicional lanchonete Tia Clara. Com quase 50 anos de história, a loja de aviamentos Maria’s Cerzideiras também saiu de cena. 

Pra piorar, a Cidade Administrativa foi inaugurada, levando para longe dali os funcionários públicos que antes batiam ponto nos prédios históricos das secretarias na Praça da Liberdade. E ainda teve a crise financeira e política que sacudiu a economia das cidades e do país. 

Com tantos ingredientes desfavoráveis, o sonho de transformar a rua Antônio de Albuquerque em uma equivalente à paulista rua Oscar Freire foi para o espaço. E cinco anos após a conclusão das obras de revitalização, a Savassi carece de zelo e pede socorro. 

 

 

 

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