Economia sai do buraco, mas retomada é tímida

Editorial / 02/03/2018 - 06h00

Após dois longos anos de uma tempestade com ingredientes econômicos e políticos indigestos, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 subiu 1% ante 2016, conforme revelou ontem o IBGE. A soma de todos os produtos e serviços produzidos no país teve, no ano passado, a primeira expansão desde 2014 (quando o PIB avançou 0,5%). Em 2015 e 2016, houve declínio de 3,5% em cada ano, conforme dados revisados pelo IBGE.

O resultado positivo veio graças ao campo. Com crescimento de 13%, a agropecuária foi a salvação da lavoura, literalmente. Puxada pelas atividades relacionadas ao setor e também pelos serviços, cuja expansão foi de 0,3%, a riqueza gerada no território nacional somou R$ 6,6 trilhões, em valores correntes. Já a indústria segue estacionada. Ficou estável. O que não deixa de ser um dado preocupante.

O crescimento de 1% do Brasil é pouco, sem dúvida. Mas pelo menos coloca um ponto final em uma das piores recessões da história do país. Saímos do buraco e o pior parece ter ficado para trás, apenas dos mais de 12 milhões de desempregados em território nacional.

Entidades empresariais se apressaram a distribuir notas comemorando o resultado, ainda que tímido. A Fecomércio Minas, por exemplo, destacou o desempenho do setor terciário, com melhoria generalizada nos indicadores macroeconômicos relacionados ao consumo. Ajudaram a reavivar o poder de compra das famílias a inflação baixa e a queda nas taxas de juros. Tudo isso fez o PIB do comércio crescer 1,8%, contribuindo para o desempenho favorável dos serviços. Por outro lado, os investimentos foram, mais uma vez, negativos.

Para a Fiesp, a Federação das Indústrias de São Paulo, para o PIB crescer mais em 2018 o remédio fundamental é o corte nos juros, já que apesar da queda da Selic as taxas para o consumidor continuam pra lá de salgadas.
Vale lembrar que apesar do cenário otimista para 2018, o ano será difícil, com eleições e muitas pedras no caminho do crescimento.

 

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