Efeito perverso da crise no mercado de diaristas

Editorial / 31/07/2018 - 06h00




O agravamento da crise econômica brasileira, desde meados de 2014, levou o país à recessão por dois anos consecutivos. Houve, nesse período, a ampliação das demissões e, consequentemente, o aumento da taxa de desemprego no país, não poupando nem o setor de serviços. 

Pesquisa divulgada ontem pelo site Mercado Mineiro mostrou que os preços cobrados pelas faxineiras diaristas tiveram variação insignificante de 2017 para este ano, com queda de apenas 0,07%, passando de um custo médio de R$ 134,38 no ano passado para R$ 134,29 em 2018, o que demonstra que além do aumento da concorrência, esse segmento sequer conseguiu recompor o valor médio da diária, mesmo com a alta da inflação no período.

O levantamento do Mercado Mineiro, realizado entre dias 26 e 27 deste mês, mostra, por outro lado, que o custo do serviço varia até 80% de uma região para outra na capital, sendo cobrado entre R$ 100 e R$ 180 por 8 horas de trabalho.

No entanto, independentemente dos valores praticados pelas diaristas, a crise mostrou também outro lado perverso: uma redução na demanda por esses profissionais, principalmente em um momento com desemprego ainda elevado – o país tem 13,8 milhões de pessoas desocupadas – e renda escassa da população.

Uma faxineira que prestava serviços duas vezes por semana agora só vai uma vez para o contratante. Já a que trabalhava uma vez, também semanalmente, está sendo chamada apenas a cada 15 dias. 

A escassez de demanda também tem levado profissionais a migrarem de área de atuação, como é o caso de babás, que na falta de ocupação, passaram a fazer faxina para conseguir sobreviver no competitivo mercado de trabalho.


Com o fim da recessão e a retomada ainda gradual da economia e, passada as eleições de outubro deste ano, resta à população torcer para que haja uma melhora considerável dos indicadores econômicos, com aumento dos investimentos, do consumo das famílias e ampliação do mercado de trabalho, garantindo assim à população mais folga financeira para conseguir manter ou ampliar o número de diaristas, inclusive com ganho real nas remunerações. 


Que 2019 seja o marco da retomada da economia aos trilhos do desenvolvimento!
 

 

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