Enquanto não há metrô, vamos com o que temos

Editorial / 30/01/2018 - 06h00

O plano da BHTrans de aumentar o número de faixas exclusivas para ônibus é uma medida interessante. Nos grandes centros urbanos, mais notadamente fora do país, cada vez mais fecha-se o cerco ao transporte individual. Por aqui, a ideia é fazer com que mais e mais pessoas optem pelo transporte coletivo e público de passageiros, sobretudo quando o destino da viagem é o centro da cidade. 

A proposta é triplicar o número de faixas exclusivas e preferenciais para ônibus, incluindo toda a extensão da principal ligação do centro à região Oeste e um dos gargalos de trânsito da nossa cidade: a avenida Amazonas. 

O objetivo é reduzir a perda de tempo dos passageiros dos coletivos no trânsito, mais de duas horas diárias, o que tem levado cada vez mais pessoas a apelar para meios de transportes alternativos, como as motocicletas e os aplicativos de carona. Problema é que nem sempre os trajetos a serem percorridos permitem essa “substituição” do meio de locomoção, e aí o impacto é pouco sentido. 

É fato que a solução para um transporte de massa na cidade é a melhoria do serviço oferecido de maneira geral, acima de tudo com a expansão do metrô aumentando a capacidade de atendimento de passageiros. Com mais linhas e estações, o sistema de ônibus atual entraria apenas como um complemento. 
O ideal é que quase a totalidade das pessoas conseguisse se deslocar pelo sistema público de transporte para cumprir os afazeres do cotidiano, como ir ao trabalho, ao médico e fazer pequenas compras, em detrimento de meios individuais. Mas o metrô ainda é uma solução cara e, enquanto não há dinheiro nem soluções para os impasses políticos criados em torno do tema, é válido melhorar o que está aí mesmo, criando condições para uma melhor fluidez do tráfego intenso de veículos. 

Muitos motoristas de carros de passeio reclamam das faixas exclusivas e das punições dadas a quem as desrespeita, o que pode merecer uma conscientização maior, de um lado, e um maior volume de informações, de outro. 

A cidade ainda tem gargalos estruturais em se tratando de mobilidade urbana, coisa que vem de longe, e a solução, como já ressaltamos, depende de um aporte grande de recursos. Medidas pontuais, mesmo com prazo de validade determinado, ajudam.
 

 

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