Entre o impacto social e o precedente perigoso

Editorial / 05/07/2017 - 05h00

A ação de retirada dos camelôs das ruas do centro de Belo Horizonte deverá, em breve, se estender para outros polos comerciais da cidade, como o Barreiro, as avenidas Abílio Machado, na região Noroeste, Úrsula Paulino, no Betânia, e Padre Pedro Pinto, em Venda Nova. Por enquanto, os ambulantes ainda trabalham livremente nesses corredores. 

Conforme ressaltamos aqui ontem, a atividade de camelô é ilegal e prejudicial para os chamados comércios formais, que pagam impostos (muitos impostos) e mantém funcionários com carteira assinada. Não há como aprovar a ação deles, embora compreendemos a situação crítica que cada um deve ter para sustentar a família. 

Muitos estão na rua por falta de alternativa de ganho de renda e lutam por aquilo que entendem que é direito deles, que é o direito ao trabalho. Não é uma questão tão simples de ser equacionada.

Dar uma alternativa talvez seja a ação mais eficaz, ou pelo menos um caminho mais humano e socialmente correto para essas pessoas. E nisso estamos muito atrás ainda de outros países que possuem programas de capacitação profissional de pessoas carentes, a maioria com cursos gratuitos. 

A questão é justamente essa: não temos uma escola atrativa para o jovem e não oferecemos oportunidades para todos. O resultado é desemprego e  desigualdade social e a bomba acaba estourando nas grandes cidades, no colo dos prefeitos. 
Escolher entre a atitude correta com consequências sociais importantes e fechar os olhos para a lei, abrindo um precedente perigoso, também não é fácil para um gestor de uma cidade do tamanho de BH. A opção de Alexandre Kalil parece a melhor, mesmo que cause alguns transtornos. 

Esperamos que o impasse entre camelôs e prefeitura se encaminhe para a melhor solução possível. Quanto aos que ainda vivem do trabalho informal nas ruas, a mobilização é importante para que sejam respeitados, mas é bom se conscientizarem que existem regras dentro de uma cidade que, embora, não sejam perfeitas, não podem ser ignoradas. E que, por mais cruel que possam parecer, o ganha-pão de alguns não pode ser conquistado às custas dos empregos de outros. 

 

 

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