Estocar para enfrentar a “pancada no bolso”

Editorial / 09/05/2018 - 06h00

 



Estocar para enfrentar a crise é uma estratégia antiga no mundo, sobretudo nos países em guerra, quando a população armazenava itens essenciais para a sobrevivência, como água e alimentos, com medo da escassez.

Já castigados com a alta no preço de itens como alimentos, energia e vestuário, os usuários do serviço de trem metropolitano de Belo Horizonte apelam, desde ontem, para a compra antecipada de bilhetes do metrô, a fim garantir que o custo do transporte caiba no bolso, sem aperto, pelo menos nos próximos meses.

Inúmeros passageiros correram até as estações de BH e Contagem para comprar antecipadamente as passagens sem o reajuste de 89%, que passa a vigorar na próxima sexta-feira. 

O comportamento, que para muitos pode ser entendido como uma forma de planejamento orçamentário, nos permite dimensionar o desespero da população. Depois de passar 12 anos pagando R$ 1,80 por viagem, os usuários do serviço foram informados de que terão que desembolsar R$ 3,40, quase o dobro do preço, por trecho. 

Grande parte dos passageiros faz mais de uma viagem por dia para trabalhar, estudar ou realizar outra atividade, tornando o rombo no bolso ainda maior. 
O resultado é que, embora os órgãos de defesa do consumidor garantam que os passageiros têm direito de comprar número ilimitado de bilhetes, a CBTU já tenta frear a prática. 

Cartazes nas estações informavam ontem sobre o limite de venda de dez bilhetes por guichê. Mesmo assim, houve quem percorresse várias estações para se “abastecer”. 
A orientação de advogados é a de que os usuários denunciem aos órgãos de Defesa do Consumidor a proibição da CBTU. Cobrar os direitos no Procon implicará, no entanto, nova e árdua batalha para os passageiros – quem sabe até na Justiça. 
Para que o custo não impactasse tanto no orçamento dos usuários, o ideal seria um reajuste gradativo ou que se buscasse uma forma de o poder público subsidiar parte do aumento. Passageiros que enfrentam diariamente trens lotados e que já desistiram de ver a ampliação das linhas do metrô na capital mineira e entorno não merecem tamanha “pancada no bolso”.
 

 

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