Hora de olhar para as crianças

Editorial / 07/05/2018 - 06h00


Quem já passou por uma separação conjugal admite ser esta uma das fases mais sofridas e desgastantes da vida. Um relacionamento ruim, motivado por fatores que vão da incompatibilidade de gênios, desrespeito e até violência física e emocional, é motivo de sobra para que cada um siga o seu caminho. No entanto, questões como falta de moradia para um dos cônjuges ou ausência de acordo sobre divisão de bens fazem com que muitos continuem sob o mesmo teto em uma relação infeliz, que pode ser rápida ou não, dependendo da condição de cada casal. Há quem diga que é mais difícil se separar que casar. Pautada no afeto, a união é fácil e suave, ao contrário da separação, em que reinam, na maioria das vezes, sentimentos nada nobres. A situação torna-se mais complicada quando entre os dois lados existem filhos menores.

A guarda das crianças e adolescentes pode ser consensual, mas muitas vezes esbarra na Justiça, devido à tentativa por parte de pai ou mãe, separados, de dificultar o contato do filho com um dos genitores, umas das formas de alienação parental. Casos de alienação parental motivaram mil ações no primeiro trimestre deste ano contra 708 no mesmo período de 2017 e se tornaram um desafio para os magistrados mineiros. 

Ferramenta para assegurar que a criança possa conviver tanto com o pai quanto com a mãe, a lei da alienação parental, porém, pode estar sendo usada de forma criminosa por alguns genitores para garantir o contato com filhos dos quais abusam fisicamente, emocionalmente e até sexualmente. Denúncias do tipo vêm se tornando mais frequentes, e esbarram, principalmente, na dificuldade para se provar quem está mentindo. 
A despeito de mágoas e até de falsa comunicação de crime, é preciso lembrar, porém, que a parte mais vulnerável destes processos está nos menores. Portanto, que a Justiça consiga – com a ajuda de especialistas, peritos e polícia – buscar a verdade e proteger essas crianças.
 

 

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