Infratores sempre estão à frente

Editorial / 14/07/2017 - 06h00

Sempre infratores e criminosos estão à frente dos agentes que tentam fiscalizar o cumprimento das leis. É histórico e normal, pois há grupos que ficam horas, dias e semanas pensando em como ludibriar agentes públicos para levar vantagem nas mais variadas áreas, inclusive em cargos eletivos. O trabalho de policiais, fiscais e demais servidores é meio que uma brincadeira de gato e rato, em que o rato sempre está em vantagem, por ser mais ágil. 

Por isso, não é de se estranhar que os camelôs que trabalham no centro de Belo Horizonte desenvolvam algumas artimanhas para escapar da fiscalização dos agentes municipais. Isso é bastante esperado. O que não é normal é não haver uma resposta à altura dos agentes à atitude dos infratores. 

Revelamos hoje algumas das táticas para não ser apanhado em flagrante vendendo produtos de maneira ilegal nas ruas da capital, inclusive com a participação de deficientes físicos, que têm autorização para o comércio. 

Mas o centro de Belo Horizonte é a região mais vigiada por câmeras de segurança em todo o estado de Minas Gerais. Flagrar as ações de toreros e as suas artimanhas pelas câmeras não parece algo difícil. Mas, para isso, é necessária uma ação conjunta, envolvendo vários órgãos, coisa que é bem complicada, principalmente no Brasil, onde a vaidade e o protecionismo costumam se sobrepor ao espírito público. 

A questão dos camelôs em BH deve ser tratada além do campo apenas econômico e legal, principalmente incluindo o impacto social. Como é um problema que envolve vários aspectos, deve ser enfrentado por equipe multidisciplinar em uma espécie de força-tarefa. 

A maior operação contra a corrupção na história do país não teria o mesmo sucesso se cada órgão envolvido agisse sozinho ou aguardasse a conclusão de um trabalho para, só depois, se iniciar outro. 

O que parece estar acontecendo no caso da capital é que a primeira etapa está sendo feita para depois se pensar na segunda e mais tarde aplicar uma terceira. Assim, leva-se mais tempo e gasta-se mais para chegar a uma solução. 
A questão dos camelôs precisa de uma ação enérgica, mas também mais abrangente para que esse jogo de gato e rato termine um dia.

 

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