Invasão dos camelôs nas estações do Move

Editorial / 04/10/2017 - 06h00

Um camelô incomoda muita gente. Dois, três, dezenas deles incomodam muito mais. Quem utiliza as estações do Move Vilarinho, Pampulha e São Gabriel, em Belo Horizonte, já percebeu que elas foram tomadas por esses profissionais autônomos e não regularizados. Cenário que surgiu após o reforço na fiscalização contra o comércio irregular no hipercentro. 

Por uma ordem do prefeito Alexandre Kalil, muitos ambulantes foram obrigados a deixar a região. Pela proposta da prefeitura, os mais de mil camelôs identificados no hipercentro da cidade seriam realocados em shoppings populares público e particulares e feiras de segurança alimentar. Mas grande parte deles passou a atuar nos terminais de passageiros. 

A migração dos toreros é admitida pela secretária municipal de Políticas Urbanas, Maria Caldas. Estima-se que pelo menos 300 ambulantes retirados da Centro foram para o Barreiro e Venda Nova, inclusive para as estações do Move. Vendendo de quase tudo, de biscoitos e outras guloseimas a acessórios para celulares, eles ocupam as áreas de embarque, desembarque e proximidades dos terminais. 

Para não despertar a atenção, os ambulantes dividem os itens de comércio em mochilas e bolsas. Alguns chegam a pagar passagem para ter acesso às plataformas. Disputando espaço com veículos e passageiros, estendem lençóis e empilham caixas para expor os produtos. 

Se de um lado, esses camelôs tentam tirar dali renda e o sustento da família, de outro os comerciantes credenciados, que pagam impostos e arcam com aluguel, queixam-se da concorrência desleal. De acordo com a BHTrans, o comércio dentro das estações somente é permitido por meio do Termo de Autorização de Uso (TAU), com contrato bimensal e renovável. O valor do aluguel do metro quadrado é de R$ 428,76. 

Porém, em uma pesquisa no Diário Oficial do Município, a reportagem do Hoje em Dia constatou que, conforme extratos de prorrogação dos contratos, os valores pagos pelos permissionários variam de R$ 1.343,45 a R$ 3.430,08, dependendo do tamanho da área ocupada e do prazo renovado. 

Com tamanho gasto, os trabalhadores credenciados reclamam da falta de fiscalização. Com razão. 

 

 

 

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