Lugar de mulher é onde ela quiser

Editorial / 08/03/2018 - 06h00

Elas são maioria nas escolas, nas faculdades, em muitas fábricas, indústrias e diversas empresas. No entanto, ainda estão longe de ocupar lugar de destaque quando o assunto é o comando de áreas ou dos negócios. Embora as mulheres brasileiras já alcancem nível de formação superior ao dos homens, a ala feminina ainda é minoria nos cargos de chefia. Em 2016, somente 38% dos postos gerenciais no país eram ocupados por elas. Para efeito de comparação, em 2011, por exemplo, elas respondiam por 39,5% desses cargos. 

O retrocesso na presença feminina em cargos de gerência foi revelado por uma pesquisa divulgada pelo IBGE ontem, 24 horas antes do Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje. Ou seja, passados quase cinquenta anos da “Queima dos Sutiãs”, quando ativistas norte-americanas protestaram contra a ditadura da beleza, contra o machismo, a opressão dentro de casa e no mercado de trabalho, as pedras persistem no caminho pessoal e profissional da maioria delas. 

Os reflexos daquela manifestação foram realmente incendiários, mas, apesar dos avanços de lá pra cá, no mundo e no Brasil, as mulheres seguem padecendo. O IBGE revela também que a desigualdade entre homens e mulheres na gestão das empresas aumenta com a idade. Conforme os dados mais recentes, de 2016, a proporção de mulheres nos cargos gerenciais era de 43,4% na faixa etária de 16 a 29 anos e caía para 31,3% no grupo de 60 anos ou mais. Esse ingrediente tem um nome: preconceito!

E mais. O IBGE destacou, ainda, que a desigualdade na ocupação de cargos gerenciais é maior entre mulheres pretas e pardas e homens pretos e pardos do que entre mulheres brancas e homens brancos. Do total de brancos em cargos de gerência, 38,5% eram mulheres, enquanto entre pardos e negros a proporção delas cai para 34,5%.

Em casa, a jornada também é mais exaustiva ara elas. As mulheres dedicam 73% a mais de horas semanais que os homens aos afazeres domésticos e aos cuidados com os filhos. Exercem o papel de babás, cozinheiras, esposas etc.

Mas, hoje, mas do que nunca, com toda competência e qualificação na bagagem, vale lembrar que lugar de mulher é onde ela quiser. E é dever de toda a sociedade buscar fazer disso uma realidade. 

 

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