Mais um aumento indigesto do gás

Editorial / 11/10/2017 - 06h00

A Petrobras anunciou ontem mais um aumento indigesto no preço do botijão de gás de até 13 quilos a partir de hoje. A justificativa é a variação das cotações do produto no mercado internacional. Mas para o consumidor é difícil. É o quinto aumento do preço do gás residencial em apenas 35 dias. No acumulado do período, houve elevação de quase 50% no produto nas refinarias. Além dos três reajustes aplicados pela Petrobras, houve aumento do ICMS e outro relacionado ao acordo coletivo das companhias distribuidoras.

A última alta, de 12,9%, foi anunciada ontem pela estatal e começou a valer já nesta quarta-feira. Se o repasse for imediato, a expectativa é a de que haja um aumento de 5% no preço final do botijão. Hoje, em Minas Gerais, o valor médio cobrado nas revendedoras é de R$ 65. Mas algumas já cobram até R$ 85 pelo produto, essencial em todos os lares.

Notícia ruim para donas de casa e proprietários de bares e restaurantes, uma vez que o gás também é primordial nas cozinhas dos estabelecimentos comerciais. Os empresários reclamam e, com razão. Segundo esses empreendedores, o gás tem, cada vez mais, um peso maior no valor final da refeição. 

O valor do produto já representou 3% dos custos de um refeição. Atualmente, está na casa dos 6%, nos cálculos de alguns empresários do ramo da alimentação fora do lar.

Em meio à crise sem precedentes no setor na capital dos botecos, com fechamento de portas e demissões, além de comprometer o ganho, os proprietários de bares e restaurantes afirmam que será inevitável repassar o preço para o consumidor. O resultado, claro, é que a comida ficará mais cara. Mais cedo ou mais tarde.

E é bom preparar o bolso. Novos aumentos podem estar por vir. Pela nova política de preços adotada pela Petrobras, o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) será revisado todos os meses. 

Segundo a estatal, o preço final às distribuidoras será formado pela média mensal dos preços do butano e do propano no mercado europeu, convertida em reais pela média diária das cotações de venda do dólar, mais uma margem de 5%. Conta que também é difícil de entender.

 

 

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