Medo faz mineiro correr para se aposentar

Editorial / 10/08/2017 - 06h00

Enquanto a reforma da Previdência ficou congelada no Congresso, à espera da definição sobre a denúncia por crime de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, apresentada pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, os mineiros não perderam tempo. 

Com receio de regras mais rígidas, que impõem um prazo maior até o sonhado descanso, eles protagonizaram uma verdadeira corrida ao INSS. 

Levantamento feito pelo órgão em Minas, a pedido do Hoje em Dia, mostra que houve aumento de 27,5% em pedidos de aposentadoria por tempo de contribuição no primeiro semestre deste ano, na comparação com janeiro a junho de 2016. Foram quase 92 mil solicitações, ante 71.818 nos seis primeiros meses do ano passado. 

E a maratona para garantir o benefício antes da reformulação deve ganhar novos adeptos. Passada a fase da votação da denúncia contra Temer, que fora rejeitada pelos parlamentares em 2 de agosto, deputados e ministros aceleram as discussões em torno da reforma previdenciária. A aprovação do texto, ainda que sofra algumas alterações, é dada como praticamente certa neste ano. 

Entre as principais mudanças na Proposta de Emenda da Constituição (PEC 287) estão idade mínima de 65 anos para homens e de 62 anos mulheres. Atualmente, é exigido 60 para elas e 65 para eles. 

Também será necessário maior tempo de contribuição para alcançar a aposentadoria: mínimo de 25 anos (hoje são 15). Já para conseguir aposentar com o valor máximo do benefício, hoje pouco mais que R$ 5 mil, será preciso 49 anos de contribuições ao INSS. Hoje, mais de 70% dos beneficiários recebem apenas o salário mínimo.

A Previdência registra rombo crescente. Os gastos saltaram de 0,3% do PIB, em 1997, para projetados 2,7%, em 2017. No ano passado, o déficit do INSS chegou aos R$ 149,2 bilhões (2,3% do PIB) e em 2017, está estimado em R$ 181,2 bilhões. Os brasileiros estão vivendo mais, a população tende a ter mais idosos, e os jovens, que sustentam o regime, diminuirão.

Números e fatos que justificam a necessidade de uma reforma. Porém, uma mudança tão drástica na vida de milhares de brasileiros exige mais diálogo e informação. Afinal, é uma alteração que vai muito além do viés econômico. 

 

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