Mudança para uma cultura empreendedora

Editorial / 10/05/2017 - 06h00

Há um ditado popular no interior que diz que “carro de boi apertado é que canta”. A mensagem mostra que muitas vezes precisamos de uma adversidade para encontrarmos soluções ou caminhos para elas. 

Muitos dos 14 milhões de desempregados em todo o país estão partindo para investir em um negócio próprio, talvez antes do que imaginavam. Isso fez saltar o número de microempreendedores individuais, os chamados MEIs. Mostramos na edição de hoje que o saldo médio desse tipo de modalidade chega a 100 mil novos negócios por ano, desde 2014. Os MEIs já somam 7 milhões de pessoas no país inteiro. Claro que não dá para falar em lado bom da crise econômica, já que muitos fizerem e ainda estão fazendo essa escolha por não ter outra opção a curto prazo. 

As facilidades para se tornar um microempreendedor e os impostos menores do que uma empresa “comum” podem ser um atrativo no primeiro momento, mas não podem dispensar os inúmeros cuidados que uma pessoa precisa ter para investir no próprio esforço. 

Na verdade, a abertura de qualquer negócio precisa ser planejada e precedida de um estudo do mercado. O que ocorre é que muitas pessoas investem na ideia sem saber se ela está ou não de acordo com o que o mercado precisa ou deseja. Muita gente também confia somente no incentivo de familiares e amigos, que podem ser dados apenas por educação ou carinho, sem nenhum conhecimento técnico. Outra coisa que ocorre muito é investir em um setor já saturado, sem um diferencial. 
Dados comprovam que fazer algo apenas no impulso não tem muito futuro. Uma em cada quatro MEIs fecham por falta de lucro. Nesse caso, aquilo que começou como salvação acaba agravando ainda mais a situação de um desempregado.

Mas o aumento de MEIs mostra uma certa mudança de cultura do brasileiro, sempre muito avesso ao risco. Em outros países, até da América Latina, empreender é bem mais comum que aqui. Porém, essas nações possuem mais facilidades para quem busca esse caminho e uma economia bem mais estável, com taxas de juros menores, às vezes até negativas. Para virar um país verdadeiramente empreendedor, o Brasil precisa de uma mudança radical da economia. Pelo que vemos nos últimos meses, não será em breve, infelizmente. 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários