Mundo virtual exige segurança real

Editorial / 09/08/2018 - 06h00

O aumento exponencial de usuários da Internet no país – o número saltou de pouco mais de 30 milhões, há dez anos, para os atuais 160 milhões de brasileiros conectados –, a crescente virtualização das relações sociais e comerciais e certo desleixo de pessoas físicas e jurídicas com a segurança dos acessos às redes ajudam a explicar a elevação expressiva das fraudes virtuais.

Nesta edição, são abordados dois exemplos de golpes que têm sido cada vez mais aplicados no país, fazendo inúmeras vítimas. Um deles é conhecido como Momo, ou ‘jogo do terror’. Difundido por um conhecido aplicativo de mensagens, desafia as pessoas a se comunicarem com um perfil desconhecido, supostamente no Japão e, de fato, aterrorizante.

A atividade é aparentemente sem sentido e inofensiva, mas, conforme especialistas, torna os contatados sujeitos a ter dados roubados e a sofrer de ameaças psicológicas a tentativas de estelionato e extorsão.

Outro golpe, mais sério e que já é comum em Minas Gerais, atinge empresas de todos os tipos. Trata-se do ‘ransomware’, no qual hackers invadem sistemas informáticos das organizações, não importa o tamanho, e, literalmente, sequestram as informações.


Para desbloquear o material, que fica criptografado e inacessível, os criminosos exigem resgates vultosos em bitcoins – moeda virtual de difícil rastreamento e cuja cotação, atualmente, é de R$ 30 mil, a unidade. O valor pedido para a liberação dos dados já chegou a R$ 400 mil, em uma das empresas.

O que espanta é a facilidade com que os malfeitores acessam os bancos de dados empresariais. Valem-se da segurança precária das redes e até da ingenuidade de funcionários que, sem se dar conta dos riscos, abrem anexos de e-mails suspeitos, instalando programas maliciosos nos sistemas e possibilitando o sequestro. 

Apesar dos avanços proporcionados pela Internet, o fato é que pouco se criou de novo na sociedade, nos últimos anos. O que a rede fez foi potencializar o que já existia, inclusive os crimes. Portanto, não há segredo: para evitar dores de cabeça com golpes virtuais, cidadãos e empresas não podem jamais baixar a guarda. O zelo com a segurança deve ser o mesmo dedicado a ameaças do mundo real. 
 

 

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