Novos bairros na rota do estacionamento rotativo

Editorial / 11/08/2017 - 06h00

Mais bairros de Belo Horizonte vão contar com o Estacionamento Rotativo pago. O famoso talãozinho, que já é cobrado em boa parte da capital, agora também será exigido em ruas do Cidade Nova, Nova Granada e Floresta, além de novas vias do Centro. 

Quando foi implantado, o objetivo do sistema, cuja lei completa 50 anos em novembro deste ano, era disciplinar o uso das vagas na região delimitada pela  Contorno. No entanto, o crescimento da capital para além dos limites da avenida fez com que a movimentação de veículos e a procura por locais para estacionar aumentassem exponencialmente. 

E se já estava difícil para o motorista achar uma vaga, neste ano a situação piorou. E muito. Em 2016, a BHTrans, gerenciadora do sistema, implantou o Estacionamento Rotativo pago para 41 vagas físicas. Somente neste ano, considerando janeiro a agosto, o órgão de trânsito já incluiu no rol da cobrança nada mais, nada menos, do que 625 vagas. Ou seja, aumento de mais de 1.000%. O montante é ainda 30% maior do que a soma das vagas adaptadas ao sistema nos últimos três anos. 

Em uma cidade cuja frota já passa de 1,8 milhão de veículos, o Estacionamento Rotativo pago é considerado por especialistas um instrumento interessante, mas que pode gerar conflitos e impor dificuldades à população. 
Exemplo disso acontece no bairro Floresta. Por lá, são vários prédios antigos que não possuem garagem. Os moradores, então, deixam os carros dormirem na rua. Porém, a partir de agora, terão que levantar mais cedo para dependurar a folhinha no retrovisor ou então buscar um novo espaço, mais longe, para colocar o automóvel de graça. A região também é muito habitada por idosos, que terão a facilidade de estacionar perto de casa prejudicada.

Outra reclamação vem de universitários e pais de alunos, já que muitos quarteirões nas proximidades de escolas e faculdades passarão a exigir a obrigatoriedade do talão. 

Além da dor de cabeça e do desconforto, a mudança pode doer no bolso. Deixar de pagar o faixa azul é infração grave, que rende ao motorista cinco pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 195,23. O preço do Estacionamento Rotativo também está mais salgado. Desde julho, o talão de dez folhas passou de R$ 41 para R$ 44 e a folha individual, de R$ 4,10 para R$ 4,40. Dinheiro que, segundo a BHTrans, é revertido em melhorias do sistema viário. 

 

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