O drama das Santas Casas

Editorial / 06/05/2017 - 06h00

A situação dos hospitais filantrópicos no Brasil inteiro é bastante delicada. Os repasses públicos reduziram muito com a queda das receitas de Estados e municípios, com a crise econômica e com a falta de remuneração adequada dos procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O fechamento de 400 leitos da Santa Casa de BH já está causando uma piora no quadro do já esgotado sistema de saúde pública da capital e da região metropolitana. 

As Santas Casas e demais unidades semelhantes são de importância histórica no atendimento de saúde. Mesmo antes do SUS, já se destacavam como referência em diversas especialidades, tudo isso garantindo o atendimento a quem não pode pagar por um tratamento avançado. 

Na verdade, essas instituições não poderiam ter, em um quadro ideal, tamanha responsabilidade na prestação de serviço à população. A rede pública, com aportes de União, Estados e prefeituras, é que deveria que ter condições de suprir toda a demanda. Parece que, historicamente, fomos nos acostumando a depender das unidades filantrópicas.

O socorro imediato a uma instituição como a Santa Casa de BH é mais que necessário. No entanto, a solução definitiva do quadro passa por uma reestruturação de todo o sistema de saúde do país, investindo em unidades de média e alta complexidade no interior do país. Com hospitais descentralizados, com modelos de gestão mais eficientes e com tecnologia, haveria, certamente, uma redução de custos e aumento de atendimento. 

Assim, instituições como a Santa Casa de BH não ficariam tão estranguladas e poderiam se dedicar à população mais próxima. Atendendo gente de todo o Estado, e até de fora, sem os devidos repasses, como ocorre hoje, não dá mesmo para manter um serviço amplo. 

A solução deveria partir da União, que é a principal gestora do SUS, e também a principal arrecadadora de impostos.
Esperamos que o fechamento dos leitos da Santa Casa perdure pelo mínimo de tempo possível e que a direção da entidade e os respectivos representantes do setor público cheguem a um acordo para minimizar os transtornos à população, que já sofre tanto no dia a dia e, sem a Santa Casa, ficará com as opções ainda mais restritas para um atendimento de qualidade. 

 

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