O efeito didático da majoração das multas

Editorial / 08/01/2018 - 06h00

A parte mais sensível do brasileiro continua mesmo sendo o bolso. Em Belo Horizonte, bastou majorar em até 53% os valores das multas aplicadas no trânsito para que os motoristas colocassem o pé no freio e se conscientizassem sobre a necessidade de respeitar mais as normas. Prova disso é que a principal infração praticada por quem está ao volante, que é transitar em velocidade superior em até 20% à permitida na via, caísse de 854.941 autuações de janeiro a outubro de 2016 para 159.218 no mesmo período do ano passado, segundo o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG).

Antes da mudança, o motorista que excedesse em até 20% a velocidade permitida nas ruas ou avenidas da capital mineira pagava R$ 85,13; de 20% a 50%, o desembolso chegava a R$ 127,69; e, acima de 50%, era de R$ 574,62. No entanto, após a elevação dos valores, os custos para quem desrespeitasse as normas saltaram para R$ 130,16; R$ 195,23 e R$ 880,41, respectivamente.

De janeiro a outubro do ano passado, transitar em velocidade superior em 20% à permitida nas vias de Belo Horizonte foi a infração mais cometida pelos motoristas, com 148.073 autuações. Em segundo lugar, veio o avanço do sinal vermelho (89.548), seguido por transitar em faixa ou via exclusiva para transporte público de passageiros (67.824) e estacionar em local proibido (61.704). Um hábito que vinha tomando conta dos motoristas belo-horizontinos, que é dirigir o veículo segurando o celular, ficou em penúltimo lugar na lista das principais infrações, com 13.179 casos, e conduzir o carro manuseando o aparelho móvel, caiu para 11.767 penalidades aplicadas.

Apesar da redução em até cinco vezes da principal infração cometida pelos motoristas da capital, os números continuam elevados e ainda preocupam. Hoje, o excesso de velocidade tem sido o principal fator que agrava os riscos de acidentes, e a maioria das mortes no trânsito ocorreu em um contexto de acelerações acima do permitido nas ruas e avenidas do país. Portanto, está mais do que na hora do motorista se conscientizar sobre a necessidade de respeitar mais as normas, sob pena de ter que arcar com custos ainda maiores.
 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários