O fim do programa farmácia popular

Editorial / 12/08/2017 - 06h00

A extinção do Farmácia Popular, criado em 2004 para oferecer uma série de remédios de graça ou com até 90% de desconto para a população, já faz vítimas no estado. Com o encerramento do programa pelo governo federal no mês passado, 39 unidades próprias foram fechadas somente em Minas, deixando na mão pacientes que dependem de medicação gratuita. Também estavam entre os produtos oferecidos fraldas geriátricas.

Nas unidades do Farmácia Popular, os cidadãos tinham acesso gratuito ou subsidiado a 112 medicamentos, entre eles remédios para pressão, coração, depressão, asma e diabetes. Já na rede conveniada, que permanece aberta, a lista é reduzida para 25 medicamentos. E a maioria são remédios mais baratos.

Segundo o Ministério da Saúde, a manutenção do programa em todo o país custava aos cofres públicos aproximadamente R$ 100 milhões ao ano. Valor que, segundo a pasta, será repassado aos municípios para a compra de medicamentos a partir deste mês. A afirmativa, porém, causa desconfiança nos prefeitos mineiros. Com a crise, a queda na arrecadação e a crescente dificuldade financeira, eles temem que o atendimento à população fique prejudicado. 

De acordo com o presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Moema, Julvan Lacerda, os municípios já estão no vermelho. Os recursos esperados com a segunda fase da repatriação foram frustrantes e muitas cidades já estão impedidas de fechar convênios ou pedir empréstimos. 

O corte na saúde é mais um problema, uma vez que trata-se de uma área já com déficit grande de investimentos. Com as prefeituras com a corda no pescoço, Julvan sentencia que vai faltar remédio. 

Diante do cenário caótico, não há como andar com as próprias pernas. As cidades por si só não têm condições de manter o programa como ele existia. Um remédio amargo para os pacientes, que podem ter as doenças agravadas. 
O corte do programa também é um “barato” que pode sair caro. Segundo médicos, problemas que poderiam ser resolvidos com remédios, sem a medicação adequada acabam se transformando em internações e doenças mais graves. Ou seja, o custo bate na porta do SUS. 

 

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