O heroísmo das casas assistenciais

Editorial / 08/07/2017 - 06h00

As consequências de um país que anda sem direção estão cada vez mais graves. Desemprego, violência, corrupção e maracutaias dominam o nosso cotidiano. Somos uma nação à deriva. 

A crise econômica, instalada com grande contribuição de gestores que tinham conhecimento da situação crítica e que não tomaram providências para preparar o país para sobreviver à ela, atinge principalmente os mais pobres, mas tiveram impacto em todas as camadas sociais. É sempre bom lembrar que estamos no pior momento da economia em mais de 80 anos. 

Quase todas as famílias cortaram e ainda cortam do orçamento aquilo que não é essencial, com efeito em cascata. Nesse meio, estão as doações para as entidades assistenciais que vivem das doações. 

É bom destacar a importância da atuação dessas organizações nas mais variadas áreas, principalmente na saúde. Podemos afirmar sem dúvidas que essas entidades fazem muito bem feito o trabalho que é de responsabilidade do poder público, em suas várias esferas, acolhendo pessoas carentes e oferecendo a elas um espaço digno de vivência. Muitos de seus assistidos não teriam chances de crescimento e até de sobrevivência se dependessem apenas do que o Estado oferece. 

É, sem dúvidas, um contraste chocante, quando vemos políticos e empresários combinando propinas ou solicitando ajuda, com tranquilidade absurda, na casa dos milhões de reais como se fossem alguns trocados. 

Apenas três empresas investigadas na Lava Jato devolveram aos cofres públicos R$ 1 bilhão nos últimos dez dias. Enquanto isso, dirigentes precisam batalhar todos os dias para manter um orçamento pequeno para cuidar de algumas dezenas de pessoas abandonadas por famílias, amigos e sociedade, sendo que a luta se renova todos os meses. Manter uma associação dessa funcionando é um ato de heroismo e de amor ao próximo. 

Se podemos fazer um apelo é para que não deixem de ajudar, mesmo que não seja como antes. Aliás, se não tiver dinheiro pode auxiliar de outra forma, doando um pouco do seu tempo a projetos. A quantidade de necessitados é muita e essas organizações que vivem de ajudar a quem não têm nada, em tempos de propinas milionárias, precisam de nosso apoio em uma situação tão grave como essa. 

 

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